A irmã mais velha

Violeta Parra

Criadora de uma obra reconhecida em todo o mundo, é a inspiradora da Nova Canção Chilena.

jueves, 15 de julio de 2010  
Violeta Parra Violeta Parra (Photo:Dibam)

“Y el canto de todos, que es mi propio canto”, escreveu Violeta Parra (1917) em Gracias a la vida, uma música que tem soado no mundo todo e em vários idiomas. É a irmã mais velha dos músicos e poetas populares do Chile. Fez pesquisa folclórica e criou uma maravilhosa obra poética, musical e plástica.

Nasceu na sulista cidade de San Carlos e aos sete anos já imitava seu pai que tocava violão, um instrumento que era muito grande para ela. “Tinha que apoiá-lo no chão. Devagarzinho comecei a cantar as músicas que escutava”, contou anos depois.

Chegou a Santiago na adolescência e trabalhou com seus irmãos em restaurantes populares. Cantavam o que o público pedia: bolero, músicas mexicanas, toadas, cuecas ou tangos. Com sua irmã Hilda, gravou o primeiro disco e em 1953 começou sua carreira solo.

Difusora da poesia e do canto popular, a alma do campo e da metrópole é expressa na autenticidade de suas interpretações. Em 1957, fundou o Museu de Arte Popular da Universidad de Concepción e foi sua primeira diretora.

Foi convidada para ir à Europa nos anos 50. Morou dois anos em Paris, onde gravou para o selo Chante du monde e para a BBC de Londres, entre outros. Em 1964, expôs suas tapeçarias no Museu do Louvre, uma distinção inédita para a arte popular da América Latina.

Regressando ao Chile se instalou e abriu um espaço, que também o foi para seus filhos Ángel e Isabel. Com isso inspirou a Nova Canção Chilena, uma corrente que desde meados dos anos 60 incluiu Patricio Manns, Víctor Jara, Quilapayún e Inti Illimani, entre outros.

Promoveu grupos, alentou pesquisadores e intérpretes. Mas o reconhecimento público não foi suficiente para ela. Sofria também de males de amor. Sua dor, como tudo que era seu, foi real. Suicidou-se em 5 de fevereiro de 1967, aos 50 anos de idade.

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