Chile pré-hispânico

Antes da chegada dos conquistadores espanhóis em 1536, o território chamado Chile foi habitado por diferentes povos indígenas. Tais como: incas, atacameños e diaguitas no norte; e mapuches, yaganes, tehuelches e onas, no sul.

martes, 20 de julio de 2010  
Mapuche Mapuche

Muito antes dos conquistadores espanhóis chegarem, o território chamado Chile foi habitado por uma série de povos indígenas. Os primeiros vestígios de presença humana datam de mais de 12.500 anos na zona de Monte Verde, perto de Puerto Montt, aproximadamente a mil quilômetros ao sul de Santiago.

As múmias mais antigas do mundo

A cultura Chinchorro, de pescadores e coletores, se desenvolveu na costa do norte chileno. Sua principal herança foi a prática do processo de mumificação ao redor do ano 5.000 a.C., as primeiras das que se tem evidência, dois milênios antes das egípcias.

Outra cultura que habitou esta zona do país foi a atacameña. Estes indígenas viveram da agricultura e da criação de gado. Rastros dos atacameños se encontram ao redor de San Pedro de Atacama, por exemplo, em Pucará de Quitor. De acordo às pesquisas arqueológicas, também eram grandes observadores das estrelas. O céu do norte chileno se caracteriza por ser um dos mais limpos do mundo, por esta razão hoje congrega diferentes observatórios astronômicos.

Além disso, na região se encontra um dos maiores geoglifos do planeta. É conhecido como o Gigante de Atacama, mede 86 metros de altura e está localizado na ladeira de um cerro no meio do deserto.

Um pouco mais ao sul, está a cultura diaguita que foi um povoado de oleiros, mineiros e artesãos têxteis. Perto do litoral habitaram os changos, pescadores de grande perícia que possuíam embarcações feitas de couro de lobos marinhos.

O espírito guerreiro dos mapuche

Entre os rios Bío Bío e Toltén, no sul do Chile, floresceu a cultura mapuche. Estes indígenas também foram conhecidos como araucanos e são reconhecidos por seu espírito indomável e guerreiro, que os levou a resistir aos invasores espanhóis por mais de três séculos. Sua cosmovisão possui um valor especial, e é abundante de simbolismos e unidade com a natureza. Para os mapuche, azul é a cor sagrada e o céu é a terra de cima.

Seus teares e joalheria singular também são muito apreciados. É o povo indígena que teve mais influência na mestiçagem racial e cultural da nação.

Atualmente é a etnia mais numerosa, com quase 4% da população total do Chile, e muitos deles conservam suas tradições e sua língua, o mapudungún.

Patagões no final do mundo

Nas terras mais austrais do mundo, na Patagônia, entre o Golfo de Reloncaví e a Terra do Fogo, habitaram os povos onas (selknam) e yámanas, os tehuelches ou aonikem, também conhecidos como patagões, expressão que significa homens de pés grandes. Esta forma de nomeá-los foi uma criação dos primeiros exploradores europeus intrigados pelas enormes pegadas que encontravam. A explicação estava no calçado que os indígenas usavam, elaborado com peles que os protegiam da umidade e do frio. Se bem os patagões não tinham pés grandes, chamavam a atenção por sua altura que, em média, superava 1,80 metro.

Entretanto, um pouco mais para o sul, entre o Golfo de Penas e o Canal Beagle, habitavam os alacalufes, povo marinheiro a bordo de canoas de cortiças ou árvores ocas. Cobriam seus corpos com óleo de lobo marinho e peles para se protegerem das chuvas e do intenso frio. O entorno não lhes permitia desenvolver a agricultura nem a criação de gado, e se dedicavam à caça de focas e à pesca.

Em suas canoas mantinham o fogo aceso, pois proporcionava luz à noite. Em 1520, a expedição de Fernão de Magalhães se encontrou com essas pequenas embarcações dos alacalufes e batizaram a zona com o nome de Terra do Fogo.