Descobrimento e colonização espanhola

Quatro décadas após a chegada de Cristóvão Colombo à América, o conquistador espanhol veio ao lugar que chamou de Novo Mundo, procurando ouro e riquezas para a Coroa. Para os habitantes do Chile a imagem de homens montados a cavalo foi estranha além de invasora.

martes, 20 de julio de 2010  
Pedro de Valdivia Pedro de Valdivia

Para os europeus, provavelmente influenciados pelo espírito renascentista, o Chile representava o fim do mundo, o final da terra, e ao mesmo tempo um novo mundo.

O primeiro europeu que chegou ao Chile foi Fernão de Magalhães, quem liderou a primeira circunavegação ao globo enviado pela Coroa Espanhola. O marinheiro de origem portuguesa se internou nos mares austrais e descobriu, em 1520, o estreito que depois levaria seu nome e que une os oceanos Atlântico e Pacifico.

Quinze anos depois, o espanhol Diego de Almagro –motivado pela busca de ouro- aventurou-se por terra desde o então vice-reinado do Peru com 500 homens. O difícil cruzamento dos Andes na altura do deserto do Atacama, a ausência de ouro e cidades como as edificadas pelos incas, além da belicosidade dos aborígenes, acabaram frustrando a tarefa. Após avançar 400 quilômetros ao sul de Santiago, Diego de Almagro decidiu voltar ao Peru.

Em 1540, uma nova expedição comandada por seu compatriota Pedro de Valdivia voltou ao Chile com o objetivo de conquistar o território. Originalmente, foi um grupo de homens e mil serventes indígenas que caminharam para o sul e um ano mais tarde participaram da fundação de Santiago no pico do Cerro Santa Lucía.

Confrontação militar

Não muito tempo depois, a resistência mapuche se manifestou na Guerra de Arauco, um dos conflitos mais longos do mundo. Foi provocado com a chegada de Almagro e não acabou senão três séculos mais tarde. Essa disputa estabeleceu a fronteira sul do território no rio Bío Bío, aproximadamente a 500 quilômetros da capital.

Com o objetivo de contrabalançar a tenacidade indígena, o conquistador decidiu fundar cidades na zona, como Concepción, La Imperial ou Valdivia. No entanto, perderia a vida em 1553 após ser vencido pelos mapuche na batalha de Tucapel.

O poema épico La Araucana testemunha a guerra e o espírito indomável dos mapuche. Foi escrito pelo soldado e cronista espanhol Alonso de Ercilla.

Diferentes episódios bélicos mostram a coragem e a inteligência estratégica desses indígenas, seus triunfos contra o conquistador e as derrotas que significaram a morte de seus principais líderes, Caupolicán, Galvarino e Lautaro. Precisamente um destes embates, a batalha de Curalaba (1598), marcou o fim da conquista e o princípio da Colônia para a história local.

O domínio dos espanhóis nunca foi total, os grupos indígenas se mantiveram ativos e se levantavam uma e outra vez contra o invasor.

A atividade agropecuária e a mineralogia de ouro, prata e cobre, em menor medida, deram impulso à economia. A troca com outras possessões espanholas em ultramar foi favorecida pela abertura dos portos de Valparaíso e Talcahuano.

A partir do século XVII, nasceu a sociedade chilena, cujos principais cargos militares e públicos eram ocupados pelos espanhóis. Muitos deles tiveram descendência na América (os chamados crioulos), ao mesmo tempo em que aumentava a mestiçagem, fato observado até os dias de hoje.

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