Arica: A porta do Chile

Conhecida como a cidade da eterna primavera, é um oásis no meio do grande deserto que se estende aos pés do altiplano.

martes, 20 de julio de 2010  
Arica: La Puerta de Chile Arica. Foto gentileza: Sernatur.

Sob a influência do anticiclone do Pacífico, Arica é uma cidade divertida e boêmia, sempre fiel ao seu espírito fronteiriço. Possui praias formosas, oásis, um museu com múmias mais antigas que as egípcias. Também oferece a possibilidade de viajar facilmente ao altiplano, ao lago Titicaca e a Machu Pichu, no Peru. Arica é uma porta aberta. Quem quiser ultrapassá-la, vai se surpreender com tudo o que existe mais além.

Um de seus principais atrativos é o porto onde, de manhã, vendem cebiche (prato de peixe cru preparado com alho e limão) e sanduíches de tubarão.

Também é muito interessante o mercado de artesanato que está ao lado e o imponente Morro, símbolo heróico da coragem dos soldados chilenos durante a Guerra do Pacífico, que hoje é um lugar histórico com permanentes exibições. Destaca-se também a Igreja de San Marcos, desenhada por Gustave Eiffel, além de agradáveis praias tais como La Lisera e Chinchorro; esta última é o lugar ideal para admirar uma milenária técnica pesqueira em frágeis embarcações e que não utilizam anzóis. A mesma que praticavam os indígenas há séculos. Um verdadeiro espetáculo.

Arica é uma cidade fronteiriça onde permanentemente se pode perceber a mistura de culturas. Nos últimos anos esteve marcada pela presença de surfistas que curtem as grandes e poderosas ondas, incluída La Bestia (A Besta), uma das maiores do continente.

Arica é um ponto estratégico para coordenar viagens de aventura. Desde expedições ao característico Valle de Azapa e ao altiplano chileno (Putre, Parque Nacional Lauca, Salar de Surire), até viagens ao Lago Titicaca, Cuzco e Machu Pichu.

Na cidade da eterna primavera há pelo menos duas atrações que nenhum viajante deveria desprezar. De noite, o bar folclórico Kamisaraki, no qual oferecem comidas típicas, tais como carne de lhama. Também oferecem bebidas da zona e, o melhor de tudo, música andina para bailar, tornando este o melhor lugar para aprender a dançar.

Durante o dia se pode visitar a Feira Máximo Lira, localizada a um lado da estação de trem Arica-Tacna, ao lado do porto. Nesta feira se pode encontrar artesanato peruano com ótimos preços, especialmente tecidos de lã de vicunha. Além de medicamentos naturais, tais como unha de gato, maca e caiwa.

Atrações de Arica 

Surfe no rio Lluta

Nos anos 80 algumas pessoas começaram a praticar surfe na Isla de Alcarán. Depois, outros se aventuraram a pegar ondas na praia do norte da cidade. Um ponto interessante é a desembocadura do rio Lluta, onde se pratica surfe e bodyboard.

Zona magnética

Uma autêntica curiosidade turística, entre os quilômetros 72 e 73 da estrada que une Arica a Putre. Se alguém para o veículo na ladeira, o carro sobe sozinho, sem estar com o motor ligado. Enquanto algumas pessoas dizem que se trata de uma zona magnética, outros afirmam que é só um efeito visual. Tente fazê-lo e, quem sabe, poderá criar uma nova teoria.

Semana Santa em Codpa

Codpa é um pequeno povoado perto de Arica. Todo ano, Jesus de Nazaré sai em procissão pelas estreitas ruas do vilarejo. Quem leva o sepulcro, uma mesa grande, são os Santos Varones vestidos com sotainas com capuz brancos.

São Santiago em Belén

Belén é uma localidade no altiplano perto de Arica e sua principal festa é a de São Santiago. Nesse dia todas as casas do povoado abrem suas portas e colocam mesas onde oferecem comidas e bebidas grátis. Depois, bandas de metais e instrumentos de percussão interpretam música enquanto são preparados guaitias, prato que contém diferentes tipos de carne, batatas, linguiças e verduras; e calapurkas, uma sopa condimentada e apimentada que contém milho, carne de frango e de lhama, verduras e uma pedra responsável por seu sabor característico.

Mayllku

No quilômetro 88 da estrada que une Arica a Putre há um vagão de trem onde a família Troncoso-Chellew vive. É um casal de hippies que, quando nasceu seu primeiro filho, não puderam inscrevê-lo no registro civil e decidiram criar seu próprio povoado sob as regras da Lei dos Colonos. Por isso, nesse vilarejo só moram eles. Chama-se Mayllku, um curioso lugar que oferece aos seus visitantes sucos, pão amassado e o coquetel estrela: o eclipse sour.

A viagem de Arica a Tacna

Os carros ou ônibus que vão a Tacna, cidade fronteiriça com o Peru, podem ser pegos na rodoviária peruana localizada na esquina das ruas Diego Portales com Santa Maria, atrás do Shopping Center.

Os documentos necessários para viajar ao Peru são passaporte, salvo-conduto ou carteira de identidade, dependendo da nacionalidade.
O primeiro controle é feito no complexo fronteiriço Chacalluta, a 27 quilômetros do terminal; o segundo é feito em território peruano, no complexo Santa Rosa, a 1 km de Chacalluta e a 35 de Tacna. O horário de atendimento do complexo Chacalluta é das 8h às 24h, de domingo a quinta-feira; e nas sextas-feiras e sábados são de 24h.

Outra forma para chegar a Tacna é realizar a viagem de trem. O serviço de trem utilizado no Peru foi construído no século XIX por uma empresa inglesa. Abrange 62 quilômetros entre ambas as cidades e demora uma hora e vinte minutos.