Terra Milenar

Valle de Azapa e múmias Chinchorro

Neste lugar mágico você não somente encontra saborosas frutas, como também as múmias mais antigas do mundo.

miércoles, 21 de julio de 2010  
Momia Chinchorro Momia Chinchorro (Photo: Museo San Miguel de Azapa)

O vale se caracteriza pela produção de saborosas frutas. No museu arqueológico de Azapa a 13 km de Arica, em pleno vale, se encontra o Museu Arqueológico San Miguel de Azapa. Conhecido internacionalmente por preservar múmias da cultura Chinchorro de 7.600 anos, consideradas as mais antigas do planeta.

Múmias Chinchorro

A cultura Chinchorro se desenvolveu na costa de Arica há nove mil anos. Sua principal característica é a mumificação dos mortos, anterior à dos egípcios.

Parece exagero, porém em Arica se pode encontrar restos de múmias Chinchorro após escavar bem pouco.  No final das contas, toda a zona é um grande cemitério. O Museu da Universidade de Tarapacá no Valle de Azapa guarda uma coleção muito singular, tendo quatro múmias em permanente exibição.

Se isso é surpreendente, também o é a história de Max Uhle, o primeiro cientista que encontrou e estudou as múmias Chinchorro.
Mad Max – ou o Louco Max – como é conhecido no mundo da arqueologia, foi um taciturno cientista que viveu grande parte da sua vida sem mais companhia que a do sol, do deserto e dos abutres que costumavam lhe indicar o caminho da morte. Max Uhle, pai da arqueologia sul-americana, nasceu na Alemanha. Seu progenitor foi um conhecido cirurgião de Dresden.

Uhle não herdou a vocação pela medicina, mas sim o gosto pelos livros. E sua paixão foram os crânios, ossos e corpos em decomposição encontrados nas inumeráveis tumbas que desenterrou ao longo da sua vida.

Realizou um de seus primeiros trabalhos para o museu de Berlim que o enviou a América do Sul para que reunisse peças de coleção. Em 1882 chegou à Argentina e logo à Bolívia, onde se interessou pela cultura Tiwanaku. Logo, no Peru Uhle descobriu o santuário de Pachacamac e uma primeira múmia que correspondia a uma mulher de doze anos.

Na segunda década do século XX, o Museu de História Natural de Santiago teve notícias de Uhle e contratou-o para que organizasse uma expedição arqueológica. Max Uhle exigiu viajar para Arica, e em 1918 descobriu as múmias Chinchorro.

No princípio ficou horrorizado. As múmias “refletem o selvageria na qual estavam submersos esses aborígenes”, escreveu Uhle em suas notas.
Hoje se sabe que a prática incluía carbonizar no fogo os corpos e extrair seus miolos através do forame magno e, depois disso, a massa encefálica era substituída por penas.

Depois de este procedimento, as múmias permaneciam muitos anos entre os vivos. Segundo Uhle, a importância arqueológica deste achado era que as chaves para compreender como se deu o povoamento da América estariam naquelas múmias. Até os dias de hoje isto ainda é um mistério.
Em Azapa, no pampa Alto Ramírez, os geoglifos de Cerro Sagrado, que representam figuras humanas e de animais como camelídeos, cobras e lagartos, são uma atração especial. Além disso, também são interessantes os túmulos funerários de, ao menos, dois mil anos de antiguidade. Próximo de Alto Ramírez está El Chapircollo lugar repleto de geoglifos, antigo centro cerimonial aymara onde até hoje se realiza no mês de agosto, o sacrifício de uma lhama para pedir boas colheitas.

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