Recuperação da democracia

Após negar continuidade a Pinochet, quatro mandatários exerceram o poder, entre eles Michelle Bachellet.

viernes, 23 de julio de 2010  
Patricio Aylwin Patricio Aylwin (a la izquierda) fue electo presidente democráticamente en 1989. (Photo: El Mercurio)

O novo governo democrático assumiu o comando em março de 1990. Patricio Aylwin triunfou com o apoio da Concertación de Partidos por La Democracia.

A nova administração herdou a política econômica do regime militar, deu um novo impulso às exportações, reduziu a inflação, introduziu políticas sociais, recebeu uma grande quantidade de investimento estrangeiro e impulsionou as exportações estrangeiras. Com isto abriu caminho para a inserção do Chile no mercado internacional, impedido até esse momento pela ditadura.

O crescimento se elevou a 7% anualmente. Ao mesmo tempo o país recobrava suas instituições democráticas, a liberdade de expressão e a de imprensa.

Com o objetivo de “contribuir ao esclarecimento global da verdade sobre as mais graves violações aos direitos humanos” cometidas desde 1973, foi criada a Comisión Nacional de Verdad y Reconciliación.

Após nove meses de investigação, a instância entregou ao presidente, em fevereiro de 1991, um informe que registrava 2.296 “casos qualificados”. O trabalho posterior da Comisión Nacional sobre Prisión Política y Tortura (2004) elevou essa cifra a 3.197.

Abertura comercial

Em 1994, substituiu Patricio Aylwin o também democrata cristão Eduardo Frei Ruiz-Tagle, filho de Eduardo Frei Montalva, que ocupou a presidência entre 1964 e 1970.

Em sua era, a abertura comercial foi intensificada com 12 tratados de livre comércio e com a incorporação do Chile à Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (Apec). O produto interno cresceu a 7,8%. No entanto, a crise asiática freou essa expansão econômica.

Internamente, foi introduzida a reforma processual penal no sistema de justiça e foi lançado um procedimento eficaz para concessões em obras públicas, o que permitiu a modernização de autopistas e aeroportos, entre outras iniciativas.

Em 16 de outubro de 1998, Augusto Pinochet foi detido em Londres devido à morte de cidadãos espanhóis no tempo da ditadura. Seu cativeiro durou mais de um ano, até que as autoridades britânicas decidiram liberá-lo por razões humanitárias. O retirado general retornou ao Chile e, até sua morte em 2006, enfrentou diversos processos por violações aos direitos humanos e por enriquecimento ilícito.

Novos Ares

Em março de 2000, iniciou o terceiro governo da Concertación, mas liderado por um socialista, Ricardo Lagos Escobar. Durante seu período, desenvolveu a infraestrutura e aprovaram iniciativas em relação ao reconhecimento de crianças nascidas fora do matrimônio e às modificações na lei de matrimônio civil, introduzindo o divórcio.

Superadas as consequências da crise econômica internacional de 1998, o país recuperou seus níveis de crescimento e assinou acordos comerciais com os Estados Unidos, a União Europeia, China e Coreia do Sul. Em temas sociais, foi criado um seguro de desemprego e o sistema de saúde se fortaleceu ao mesmo tempo em que os índices de pobreza foram reduzidos sustentavelmente.

Em sua qualidade de membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o Chile se opôs à invasão ao Iraque proposta pelos Estados Unidos.

O quarto governo da Concertación começou em 2006 e teve a liderança de Michelle Bachelet Jeria, pediatra e socialista. Foi a primeira mulher em ocupar tão alto cargo no Chile. Filha de um general da aviação morto em prisão depois do golpe de estado de 1973 sofreu a perseguição política e o exílio. Foi ministra de Saúde e de Defesa do Presidente Lagos, postos onde conseguiu grande notoriedade pública.

A mandatária colocou ênfase na proteção social, como a gratuidade no atendimento do sistema de saúde público a maiores de 60 anos, na extensão da educação pré-escolar e a reforma do sistema de pensões.

Michelle Bachelet impulsionou modificações na educação primária e secundária; e investiu no acesso à vivenda e na infraestrutura esportiva. Paralelamente, implementou um novo sistema de transporte público em Santiago, integrado com o metrô.

O dinheiro arrecadado graças ao aumento no preço do cobre, uma das principais exportações do Chile, permitiu ao país enfrentar a crise econômica mundial. Organismos multilaterais e meios de comunicação internacional assim o ratificam, ao destacar a disciplina fiscal adotada por suas autoridades.