Artes plásticas

Diversificado e dinâmico, o Chile pode ser figurativo e abstrato, às vezes surrealista, em outras oportunidades hiper-realista, mas sempre vanguardista.

martes, 27 de julio de 2010  
Bienal de Venecia; Ivan Navarro Pabellón de Chile; Bienal de Venecia (Photo: Sebastiano Luciano)

- O reconhecimento nacional e mundial
- Gibis do Chile
- Fotografia

Nas artes plásticas chilena, todas as tendências se manifestam com criadores que contribuem para a arte universal. Este é o caso de Roberto Matta, cuja poética visual vitalizou o movimento surrealista e, em seguida, o expressionismo abstrato. Matta também manifestou seu compromisso social com um mural político nos anos 70 e com sua colaboração para a criação do Museu de Arte do Homem Latino-africano.

Em outro enfoque que revela a diversidade, se encontra o trabalho questionador das tradições e dos sistemas de Eugenio Dittborn, integrante da chamada “Escena de avanzada” das décadas de 80 e 90. Com suas pinturas aeropostais, Dittborn sugeriu uma crítica à sociedade e aos meios artísticos tradicionais, assumindo os códigos da globalização: afastou-se material e simbolicamente da origem e, em seguida, retornou à sua obra com uma outra visão.

Outros artistas destacados foram Arturo Duclos, Alfredo Jaar, Juan Castillo, também ligados à Escena de Avanzada.

Recentemente o Chile foi convidado para a Bienal de Veneza, provavelmente uma das mais importantes do mundo, para apresentar um pavilhão dentro dos Arsenais. Ivan Navarro foi o artista que apresentou a obra Threshold, que considerou instalações com luzes fluorescentes.

Com outra visão surgiu Claudio Bravo, também de renome internacional, mas longe das vanguardas, contribuiu com procedimentos-chave para o desenvolvimento do hiper-realismo, uma corrente que enfatiza a eficácia do ofício pictórico na representação estética.

A arte plástica chilena atual recorre a diferentes meios, e reconhece na tecnologia um potencial expressivo e de interação com o uso da multimídia. A fotografia e as revistas em quadrinhos também estão representadas entre as artes visuais do Chile.

Um pouco de história

A arte rupestre autóctone é, certamente, a mais remota, presente com figuras notáveis particularmente no norte do Chile. Pode-se ver, por exemplo, em rochas do Valle del Encanto esse humanóide elaborado de 86 metros no Cerro Unita - região de Tarapacá - o maior geoglifo do mundo conhecido como o Gigante do Atacama. As expressões dos povos nativos se juntam com a arte ocidental trazida por europeus, com as expressões coloniais e com os vestígios de uma pintura propriamente chilena.

Um aspecto desconhecido dos principais líderes da independência do Chile os vinculou às artes plásticas. Bernardo O'Higgins estudou a disciplina e deixou um autorretrato a óleo em miniatura. José Miguel Carrera também foi condenado por suas “caricaturas sangrentas".
A iconografia mais divulgada dessa época foi devido ao pincel de José Gil de Castro (1785-1841). Vindo do Peru em 1810, o denominado "mulato Gil" captou a transição da colônia à independência. Fez os retratos oficiais do diretor supremo, pinturas religiosas e registrou campanhas militares e da alta sociedade.

No início da pintura profissional no Chile e no seu ensino a presença de outros artistas viajantes foi relevante.  Mauricio Rugendas, alemão que chegou ao Chile e registrou cenas e personagens populares, ou Raymond Monvoisin, francês que foi contratado pelo governo em 1843 e estampou a moda nas senhoras da sociedade de Santiago. O napolitano Alessandro Cicarelli foi quem dirigiu a Academia de Pintura, antecessora da Academia de Belas Artes, onde se formariam as primeiras gerações de artistas no país.

O livro "A pintura chilena desde os tempos coloniais até 1981", de Gaspar Galaz e Milan Ivelic, permite conhecer o assunto em detalhe. Outra obra importante é "Copiar o Éden. Arte recente no Chile", editado pelo curador internacional Gerardo Mosquera, que resume o mais importante da produção visual chilena dos últimos 30 anos.

Desde então, entre os artistas chilenos há os que denotaram academicismo, experimentação e irreverência iconográfica, confinamento enigmático e arte coletiva da via pública. Houve olhares lúdicos, políticos, teóricos e aparentemente ingênuos. E várias tradições, de cavaletes e de vanguardas, até chegar à arte plástica chilena contemporânea, onde também há espaço para os murais religiosos, políticos, grafítis, fotografia e quadrinhos.

O Estado, por sua vez, desde 1944 recompensa a trajetória de um autor por meio do Prêmio Nacional de Arte e incentiva a criação dos jovens com recursos concursáveis do Fondart (Fundo Nacional de Desenvolvimento das Artes). Enquanto isso, os próprios criadores galardoam seus colegas com o prêmio Altazor.

* Foto superior que encabeça a seção de Artes Plásticas corresponde a Science, conscience et patience du vitreur, 1944 (Ciência, consciência e paciência do vitralista). Óleo sobre tela 200 x 450 cm. Coleção particular, Nova Iorque. Publicado no catálogo <Matta, Retrospectiva Museu Reina Sofía, 1999>. Cortesia da Comissão do Centenário Matta 11-11-11.