Cinema

100 anos de documentários e de ficção com relevantes prêmios em recentes festivais internacionais.

miércoles, 28 de julio de 2010  
Raul Ruiz Raul Ruiz (Photo:TVN)

- Filmes clássicos chilenos

A produção cinematográfica chilena se tornou prolífica e bem-sucedida. Raúl Ruiz, célebre diretor radicado na França, e Alejandro Jodorowsky, autor de obras de culto são um permanente estímulo para dezenas de cineastas de ficção, documentários e curtametragens em diferentes formatos.

Memória, revisão social e humana das últimas décadas, animação infantil, comédia e drama, são conteúdos e gêneros frequentes nas obras de diretores, produtores e atores chilenos.

Adicionalmente, a geografia e as paisagens extremas do país são escolhidas como locação para numerosos cenários de produções estrangeiras.

Nos últimos meses o cinema chileno tem se destacado em diversos festivais internacionais, sobretudo em filmes como La Nana (Sebastián Silva), Tony Manero (Pablo Larraín) e La buena vida (Andrés Wood).

Antecedentes relevantes

Ainda que a primeira produção cinematográfica nacional se remonte a 1910, o filme mudo “El húsar de la muerte” (O Cavaleiro da morte) representaria o auge da promissora indústria local. Dirigido e protagonizado por Pedro Sienna em 1925, narra a vida de Manuel Rodriguez, o guerrilheiro que contribuiu fundamentalmente para a independência do país.

Somente no período entre 1923 e 1927, foram filmadas no país mais de cinquenta longa metragens, um fato inusitado que não se repetiria até os tempos atuais.

Após a Grande Depressão a produção nacional se reavivou. Uma obra emblemática que capturou o fenômeno foi o “Norte y Sur” (Norte e sul) (1934), o primeiro filme sonoro local, dirigido por Jorge "Coke" Delano.

A contribuição estrangeira no Chile também foi transcendente e bem sucedida. Gastaram um milhão para Verdejo (1941) e “Entre gallos y medianoche” (Entre galos e meia-noite) (1942), do italiano Eugenio de Liguero, assim como “P'al La'o” (1942), do argentino José Bohr.

Depois de uma década fraca, a dos anos 60 teve um novo impulso, principalmente com a chegada de famosos criadores como Raul Ruiz (Tres tristes tigres), Aldo Francia (Valparaiso, mi amor) e Miguel Littin (El Chacal de Nahueltoro).

O golpe de estado de 1973 significou o estancamento do setor, produto do exílio de alguns cineastas e da censura. No entanto, houve tentativas bem-sucedidas, como Silvio Caiozzi, que estreou em1979 “Julio começa em julho” e, mais tarde, levou para a tela as obras “Historia de un roble solo” (1982) e “La luna en el espejo” (1990), do escritor José Donoso.

A revitalização do cenário local voltou somente após a democracia. Foi em 1999 quando realmente o público retornou às salas dos cinemas com “El chacotero sentimental”, de Cristián Galaz, uma comédia que examina as ligações amorosas dos chilenos como uma radiografia social.

O cinema da transição teve êxitos como “Caluga o Menta” (1990), de Gonzalo Justiniano, ou “Taxi para tres” (2001), com a incorporação da marginalidade urbana e do humor negro.

Desde 2008, os cinemas já exibiram 24 novas obras. A maioria tem participado de festivais internacionais e obtido o reconhecimento do público e da crítica.

Cinema documentário

As questões étnicas, religiosas e populares, a memória histórica e a violação dos direitos humanos nos tempos da ditadura deram especial destaque ao cinema documentário chileno.

Nieves Yankovic e Jorge di Lauro dirigiram em 1958 uma obra sobre a religiosidade popular chamada Andacollo, com música de Violeta Parra. Contemporâneos destes e igualmente importantes: Pedro Chaskel, Sergio Bravo e Hector Rios.

Depois disso, a experiência da Unidade Popular estimulou a produção de outros trabalhos imperdíveis como a saga de Patricio Guzmán “A Batalha do Chile”, que consta de três partes: “A insurreição da burguesia” (1975), “O golpe de Estado” (1976) e “O Poder Popular” (1979).

Ditadura e transição política estão presentes em inúmeros documentários feitos no país e no exílio. Em “Cien niños esperando un tren”, Ignacio Agüero resgata gestos cotidianos de solidariedade em meio às restrições e à censura. A memória é a chave principal em “Baila domingo”, de Ricardo Larraín.

Algo semelhante levou Carmen Castillo a realizar “La flaca Alejandra”, onde revela o tema perturbador da traição de um militante que colabora com as agências repressoras, e “Calle Santa Fe”, que reconstrói as circunstâncias da morte de seu parceiro Miguel Enriquez, líder do Movimento de Esquerda Revolucionário (MIR).

Carmen Luz Parot e Gaston Ancelovici dirigem “Estadio Nacional” e “Chacabuco, memoria del silencio”, respectivamente, relatos da prisão política nos primeiros meses da ditadura.

Sebastian Alarcon desenvolve “La ciudad de los fotógrafos” registro do arriscado trabalho que esses profissionais realizavam no meio dos protestos sociais nos anos 80.

Fomento ao cinema

Os criadores do país contam com o apoio do Fondo Audiovisual del Estado (Fundo audiovisual do Estado), que fornece recursos concursáveis para facilitar a produção de obras de temáticas, olhares e estilos diversificados.

Em “Faros chilenos: viaje al fin del mundo”, Claudio Marchant percorre os recantos mais austrais do planeta e se encontra com os últimos representantes da etnia ancestral yagana, um povoado ancestral do extremo sul.

“Aquí se construye”, por Ignacio Agüero, registra a demolição de uma casa em um bairro tradicional para abrir caminho à construção de um moderno prédio de apartamentos.

Prêmios Recentes

La Nana, Sebastian Silva: Prêmio do Júri melhor longametragem Dramático Internacional e Melhor Atriz (Catalina Saavedra) no Festival de Sundance (2009).

Tony Manero, Pablo Larraín: Melhor longa-metragem em Havana (2008), Melhor Filme em Turim (2008).

La buena vida, Andrew Wood: prêmio Goya Melhor Filme Hispano-americano (2008).

img_banner