Los Parra

A Parra mais generosa, da que bebem geração trás geração de pessoas do Chile e do mundo, é a desta família cuja contribuição às artes tem sido significativa.

miércoles, 28 de julio de 2010  
Javierra Parra Javierra Parra, (Photo: Evolución Producciones)

O Chile é conhecido pela qualidade de seus vinhos, pelas virtudes das videiras e as cepas que se tornam pródigas em uma terra privilegiada pelas condições do clima.

Mas provavelmente uma das parras (videiras) mais valiosas do país é a família cujo sobrenome é justamente Parra. Sua influência nas artes se manifesta claramente nas diferentes gerações de artistas.

A música, a literatura, as artes plásticas, o teatro popular no Chile não teriam sido os mesmos sem eles.

No princípio do século XX, no sul do Chile, Nicanor Parra Alarcón e Clarisa del Carmen Sandoval deram início à família Parra Sandoval. Todos os irmãos se dedicaram à música, à literatura e ao espetáculo.

Os mais conhecidos são Violeta (1917-1967) e Nicanor (1914), Prêmio Nacional de Literatura. Nos anos 50, Violeta já era considerada a melhor folclorista do país. A alma popular, do campo e da metrópole, está expressa na autenticidade da interpretação de seu canto. Criou suas próprias canções sem se afastar de suas raízes, algumas com intenções de experimentação como as anti-cuecas.  Ao seu redor se iniciaram, além de seus filhos Isabel e Angel, novos artistas como Victor Jara e o conjunto Cuncumén.

No início dos anos 60 escreveu a letra da canção “La carta” para seu irmão Roberto, que havia sido vítima da repressão policial. Gravada pelo conjunto Quilapayún, tornou-se emblemática da música de protesto social, e deu origem ao movimento da “Nueva canción chilena”.

Entre suas composições mais belas, Violeta Parra deixou “Gracias a la vida” uma música universal, que foi interpretado em vários idiomas e por artistas como Joan Baez, Elis Regina e Mercedes Sosa.

Roberto e Eduardo Parra escolheram a cueca popular urbana, as cuecas choras. Experimentaram com versões do fox trot que levou à criação do original jazz guachaca. Roberto é também autor de “Décimas de la negra Ester”, um texto que foi levado ao teatro na década de 80 e permitiu uma aproximação entre a juventude e a sua obra.

Ao redor de Violeta, foi fundada a Peña de los Parra, local de encontro da "Nueva canción chilena" nos anos 60. Depois do golpe de Estado em 1973, Angel foi preso e no campo de concentração de Chacabuco compôs “La pasión segun San Juan” (A Paixão segundo S. João). No exílio, sua irmã Isabel difundiu a obra de Violeta e continuou seu trabalho de compositora.

A terceira geração

Com o retorno da democracia, o fim do exílio acrescentaria “desde os 90”, Angel Parra Orrego e sua irmã Javiera, netos de Violeta, que conquistaram o público jovem. Javiera fez a sua carreira como cantora do grupo pop Javiera y Los Imposibles; e o seu irmão, com a formação de guitarrista de jazz, integrou a banda Los Tres, uma das mais populares das últimas décadas. Ao repertório do grupo são incorporados o jazz guachaca e cuecas choras dos tios Roberto e Eduardo. O neto de Violeta tem também a sua própria banda de jazz, Angel Parra Trio.

Tita Parra, filha de Isabel, também faz parte do cenário musical chileno como intérprete e compositora. Muitas vezes, se apresenta juntamente com sua mãe e executam canções de sua avó. Tita tem explorado maneiras de misturar os ritmos do jazz, da bossa funk, do rock pop e das raízes folclóricas. Numa onda roqueira forte, Columbina, filha do poeta Nicanor Parra, acrescenta sua contribuição para o público jovem do século XXI.

Todos eles, em algum momento e com os ritmos de cada época, voltaram aos temas de Violeta Parra, a primeira da família. Seu irmão Nicanor, um dos principais escritores da América Latina, dedicou-lhe o poema Defensa de Violeta Parra. Em seus primeiros versos coloca: Dulce vecina de la verde selva / Huésped eterno del abril florido / Grande enemiga de la zarzamora / Violeta Parra. / Jardinera / locera / costurera / Bailarina del agua transparente / Árbol lleno de pájaros cantores / Violeta Parra.

(Doce vizinha da verde selva / hóspede eterna do abril florido/ Grande inimiga da amora / Violeta Parra. / jardineira / louceira / costureira / Dançarina da água transparente / árvore cheia de pássaros cantores / Violeta Parra.)