As danças tradicionais

Cultura religiosa e tradicional, festas e celebrações, podem transformar o país em uma grande pista de dança.

jueves, 29 de julio de 2010  
Baile de Isla de Pascua Baile de Isla de Pascua (Photo:Bafochi)

Se a arte é expressão da cultura de um povo, a dança é o que põe essa cultura em movimento. Como todos os povos o chileno manifesta seu caráter, celebra rituais antigos e comemora através da dança. No norte é a festa de La Tirana, no sul o guillatún, um ritual mapuche. Na Ilha de Páscoa é o popular sau sau, e em todo o país é a cueca, a dança nacional - forma coreográfica que representa um casal com lenços no ar e flerte picaresco.

O Balé Folclórico Nacional (BAFONA) preserva e divulga as danças do Chile com um sentido mais acadêmico e de espetáculo. Ou seja, mostra todas as expressões típicas ligadas ao folclore, aos rituais religiosos ou às comemorações nacionais.

Danças de norte a sul

No norte as danças tradicionais são influenciadas pelas culturas aimara e quíchua. É uma expressão da religiosidade popular e forma parte das festas pagãs herdeiras da cultura incaica.

A diablada é uma manifestação de sincretismo com a influência católica, parte da festa de La Tirana, dança de confrarias onde alguns dançarinos usam máscaras demoníacas enquanto os acompanhantes levam trajes coloridos e tocam instrumentos musicais de percussão e sopro.
Outras danças próprias do norte do país sem conotação religiosa são o trote, o cachimbo e a cueca Nortina.

Na zona central a rainha é a cueca, forma de expressão que se desenvolve principalmente nas Festas Pátrias. Em Santiago e Valparaíso predominam as formas camponesas, de salão e também a cueca brava. A coreografia básica de flerte varia em cada caso.

Outra dança de casal e paquera é o sombrerito, aqui a mulher substitui o lenço por um chapéu, e se afasta e se aproxima misturando passos lentos com outros curtos e rápidos. Após a dança da conquista, o casal esconde seus rostos por trás do chapéu simulando um beijo.

No sul, a dança mapuche expressa culto à divindade e é também uma cerimônia de curação. No guillatún se fazem orações a Ngenechen, divindade suprema, juntamente com rehue ou canelo, árvore sagrada desta cultura. Também está o loncomeo, que significa mover a cabeça, uma expressão que imita os movimentos dos animais ao redor do fogo ou do fogão. Nos rituais é essencial a presença da machi, a autoridade religiosa mapuche, porque ela é a encarregada de curar as pessoas da comunidade por sua condição de única intermediária entre os mortais e o mundo dos espíritos. We Tripantu, o Ano Novo dos mapuche é naturalmente uma ocasião especial de festa e de dança.

Mais para o sul, o clima influencia as danças tradicionais. Entre pescadores e camponeses, os passos e as coreografias são mais enérgicos, como forma de afastar o frio. Na Trastrasera, o homem move os braços convidando a mulher a dar uma meia volta, pegando a saia com a mão até ficar frente a ele. No costillar, dois homens competem dançando ao redor de uma garrafa colocada no centro da pista. Quem a derrubar perde.

Outras danças de casais são: a valsa de Chiloé, onde o homem e a mulher acentuam cada vez mais a intensidade dos passos, a sirilla, originado da seguidilha espanhola, e a zamba resfalosa, própria da ilha de Achao.

Na Ilha de Páscoa, as danças tradicionais são de origem polinésica. O sau sau e o tamuré são dedicados aos deuses, ao amor e à natureza. É caracterizada pela sensualidade dos movimentos da cintura e dos quadris, braços e mãos ondulantes de mulheres e homens que exibem seus colares de flores ao vento. Com influência taitiana o tamuré é uma dança da fertilidade, é realizada em pares, com sinuosos e rápidos movimentos de quadris e de pernas.

Influências

Se a sirilla chilota tem influência espanhola e o tamuré, taitiana, diversas danças típicas adotadas como próprias nas festas populares folclóricas chilenas têm sua origem em outras terras e culturas. A Refalosa é originalmente peruana, o cuándo é espanhol, a guaracha camponesa é um legado de ritmos colombianos e cubanos. A polca veio da Europa central e o corrido é tipicamente mexicano.

Dança moderna

Na década de 40, a Universidade do Chile, reuniu um elenco estável para o Balé Nacional do Chile. Para esse fim, trouxe Ernst Uthoff, Lola Botka e Rudolf Pescht da Europa, destacados bailarinos. O trabalho formativo permitiu o desenvolvimento dos precursores da dança contemporânea no país, incluindo Patricio Bunster, Joan Turner e Malucha Solari.

Nos anos 60 e especialmente no governo de Salvador Allende foi promovida a popularização da dança e foi criado o Balé Popular. Após o golpe militar de 1973 essas iniciativas foram frustradas. Em 1985, Turner e Bunster fundaram o Centro de Danza Espiral, com especial ênfase na dança moderna com sentido social.

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