Teatro

A dramaturgia nacional tem tantos anos quanto o país, cujos protagonistas representam traços típicos da identidade de sua terra.

jueves, 29 de julio de 2010  
Teatro, La Negra Ester La Negra Ester (Photo:Juan Francisco Somalo)

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Janeiro é o mês do teatro em Santiago, onde se oferece amplo panorama de estreias e sessões de vários grupos e obras para todos os gostos e idades. O público fica agradavelmente impressionado com a visita de companhias internacionais de teatro de rua que comparecem a este festival.

Em 2008, a francesa Royal de Luxe trouxe a pequena gigante, uma menina de sete metros de altura e pesando uma tonelada. Um ano mais tarde, o grupo catalão La Fura dels Baus reuniu 70 mil pessoas diante do palácio de La Moneda, com Lola uma figura não menos imponente feita de cobre.

Andrés Perez e sua companhia Gran Circo Teatro foram os pioneiros e precursores destes shows que em 1988 encenou La Negra Ester, de Roberto Parra. Foi tão importante que marcou um antes e um depois no cenário teatral chileno. A partir de esse momento, essa corrente se abriu a novos autores, incentivando a criatividade e a experimentação.

O segredo

Em Santiago, a primeira sala de teatro abriu suas portas pela primeira vez em 1810 e se chamou Coliseo. Nesse mesmo ano começou o processo de independência do país. Um dos autores da época foi Camilo Henríquez, diretor do primeiro jornal chileno. Desde então, a arte dramática tem representado os diversos períodos históricos da nação com tons realistas, trágicos e humorísticos.

Na primeira metade do século XX, o chamado teatro obrero (teatro dos trabalhadores) teve um rol protagonista bastante singular. Com o incentivo do líder político Luis Emilio Recabarren, essa corrente teve seu apogeu entre os trabalhadores do salitre e montou obras de tipo realista e de costumes. Em 1936, foi encenado Chañarcillo do dramaturgo Antonio Acevedo Hernández, obra que até hoje é reconhecida pelo seu conteúdo social.

Em meados do século XX graças ao ímpeto de grupos universitários, o teatro experimental adquiriu grande impulso. A geração da década de 50 foi a melhor representante e os seus principais expoentes foram Luis Alberto Heiremans, Egon Wolff, Fernando Debesa, Sergio Vodanovic, Alejandro Sieveking, Maria Assunción Requena, Isidora Aguirre, Fernando Cuadra e Jorge Díaz. Todos, com ênfase variada, incorporaram em suas obras a crítica social, a recuperação histórica e folclórica, sem renunciar à busca individual e transcendente.

Em seguida veio o teatro de criação coletiva, uma manifestação dos jovens dos agitados anos 60. Os grupos Ictus e Aleph pertenceram a este movimento.

Camadas inquietas

No final dos anos 70 começou um novo movimento independente, que esquivou a censura com eufemismos e humor. Apareceram novos dramaturgos e companhias, entre os quais Juan Radrigán, Ramón Griffero e El Trolley, Mauricio Celedon e o Teatro del Silencio, Alfredo Castro e o Teatro de La Memoria.

No cenário atual, destacam-se grupos como La Troppa, que surgiu no final dos anos 80 com Gemelos como sua obra-prima. Suas produções são caracterizadas pelo uso de todos os recursos visuais possíveis e por misturar a estética do cinema com a do gibi e do circo, elementos que são integrados a conceitos criativos da cenografia, iluminação e vestuário, e a um trio de atores que mostram habilidades acrobáticas, até capturar uma fascinante linguagem visual.

La Negra Ester, principal obra do Gran Circo Teatro, foi escrita originalmente em décimas autobiográficas por Roberto Parra, irmão dos artistas Violeta e Nicanor. Representa a tragicomédia de um bordel de Valparaíso, resgatando um setor social suburbano, com uma banda de músicos que toca ritmos populares, jazz guachaca e cuecas choras, e um elenco de atores cantando e dançando no palco.

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