Folclore

Chile mestiço, mágico e criativo. Crenças de tradição oral, fragmentos da alma do povo.

jueves, 29 de julio de 2010  
Artesanía Artesanía (Photo:Sernatur)

- Danças e bailes tradicionais
- Jogos típicos
- Contos e Lendas

Os costumes são pura sabedoria que é passada de geração em geração. É o Chile profundo, onde transita as superstições, histórias de espíritos e fantasmas, herança da mistura cultural. No folclore do país se preserva a alma popular manifestada através de elementos e costumes variados.
Artesanatos que as mãos simples elaboram com os materiais oferecidos pela natureza: a prata é o principal para a ourivesaria mapuche, o tricô com agulhas, rocas e teares; o cobre esmaltado; além do artesanato em madeira, conchas de moluscos e também da crina de cavalo.

O artesanato se une tanto aos jogos típicos, às danças e às canções tradicionais quanto aos contos e lendas de transmissão oral. O imaginário do país e de seu povo é preservado e recriado em todo o território.

Música folclórica

Com violão, pandeiro, harpa e acordeão começa a festa folclórica popular e camponesa. Uma imagem clássica do folclore local é a de um casal dançando cueca enquanto um grupo faz brotar a música.

No Chile há tantos estilos de cueca quanto histórias e lugares. É uma tradição que transcende o canto camponês. No norte, tem sons de quenas e zampoñas; na zona central, o principal instrumento é o violão, enquanto no sul, são a trutruca mapuche ou o acordeão chilote.

A música folclórica de raízes indígenas está relacionada com rituais religiosos e de curação. A música propriamente crioula ou chilena, do folclore campesino e popular, tem sua origem na mistura cultural e se expressa nas canções com forma de toadas e cuecas. A influência espanhola se manifesta através de instrumentos trazidos da Europa, como o violão e o acordeão.

Artesanato

Os materiais utilizados são os proporcionados pela natureza. Prata na ourivesaria mapuche; cobre esmaltado para dar forma a ornamentos e utensílios funcionais, lã para tecer com agulhas, roca e tear; madeira, conchas de moluscos e crina de cavalo.

Para as mãos artesãs, uma árvore é mais que uma árvore e o barro mais do que barro. Uma maravilha inesperada são as sereias e as borboletas feitas de crina de cavalo no meio do campo. Cântaros de argila, figuras feitas com técnicas ancestrais, uma enorme diversidade de objetos que falam da alma do povo.

A cerâmica é particularmente representativa do artesanato do país. As primeiras amostras da olaria correspondem a vestígios pré-colombianos da cultura diaguita, no norte do Chile. Na zona central, os povoados de Pomaire e Quinchamalí são os mais nomeados por sua tradição neste tipo de artesanato.

Destacam-se as peças utilitárias e decorativas, cerâmica, louça e figuras de animais, fogões e guitarreras. O passado indígena se funde com a tradição campesina. Bem perto, na cidade de Chimbarongo, o vime é o material usado para elaborar múltiplos objetos, de vasilhas ou enfeites até móveis para o lar.

A arte do cesteiro é uma das expressões artesanais mais representativas do povo mapuche. Os objetos também são utilitários, como os coloridos cestos de coirón (fibra muito delicada, que é utilizada para fazer bolsas e chapéus), planta que também é utilizada para a forragem de animais.

Entalhes

A escultura em madeira é outra expressão tradicional do povo mapuche. Roble, raulí e coigüe, árvores nativas, estão ao alcance da mão para fazer casas ou rucas e utensílios de uso doméstico. Fontes, conchas, bandejas e pratos, com formas de animais ou barcos, nascem da tradição artesanal dos mapuche.

A milhares de quilômetros de distância, na Ilha de Páscoa, o entalhe também identifica a cultura Rapa Nui com madeira toromiro, valorizada por sua dureza e qualidade. Além de remos e outros objetos úteis, as figuras tradicionais dos moáis, estátuas de pedra da ilha, inspiram o trabalho.

Por exemplo, o moai kava kava, com as costelas que se sobressaem e o moai tangata manu, que significa homem pássaro.

Os tecidos de lã são característicos de diferentes partes do país, legado das culturas aimara, no norte e mapuche, no sul. Elaborados com agulhas, rocas e teares, os principais motivos são o abrigo e a celebração de ritos cerimoniais. Contêm figuras ou desenhos especialmente significativos, representando plantas medicinais e decorativas, animais (a serpente, por exemplo, de singular importância na cultura mapuche), união das comunidades e dos símbolos do cosmos e do céu, da vida extraterrena. Na região central do país são típicos os cobertores de Doñihue e o chamanto. No sul, é amplamente usado o tradicional gorro de lã chilota.

Ourivesaria mapuche

A atividade mineira do país também deu vida à ourivesaria e ao artesanato em metais. Os mapuche usam a prata para elaborar acessórios de vestuário: o trarilonco, é usado ao redor da cabeça e a trapelacucha, se coloca no peito. São peças que normalmente representam o condor - uma ave sagrada para a cultura do povo.

Para as mulheres deste povo as jóias de prata têm um significado religioso e as protege dos maus espíritos. O cobre, principal produto de exportação do Chile, é usado para fazer quadros rebuscados, móbiles e pingentes com o mineral esmaltado, pratos, panelas, chaleiras e outros objetos utilitários.

A pedra semi-preciosa lápis-lazúli que tem a cor do céu, é extraída de jazidas na Cordilheira de Ovalle, no norte do país. Com ela fazem artesanalmente figuras que impressionam, de modo singular, os visitantes e turistas.