Economia e desenvolvimento

Arquitetura

Como é a arquitetura em um país sísmico e de louca geografia? Com certeza, diversificada e diferente de qualquer outra no mundo.

miércoles, 01 de febrero de 2012  
Arquitectura Duoc UC Sede San Andrés (Photo:Pradoarquitectos Asociados)

A natureza do país impôs suas condições e o chileno foi adaptando a construção de suas casas e edifícios de acordo com as exigências da natureza. Há terrenos planos e de fácil acesso, escarpados perto da Cordilheira e úmidos nos bosques do sul. Além do mais, o território é sísmico e, por isso, os desafios arquitetônicos são permanentes.

Atualmente, o uso adequado da tecnologia permite edificar grandes torres em altura com criativos e vistosos desenhos. Santiago e as principais cidades do país mostram ao visitante as obras de arquitetos chilenos que têm sabido ligar a história e a cultura ancestral com as novas técnicas, tendências e materiais. Ainda é possível ver no sul alguma ruca - vivenda original dos mapuche; as construções de estilo colonial são frequentes em diferentes cidades, também é muito forte a influência europeia, especialmente a alemã no sul.

A variedade climática do Chile também determina sua arquitetura. No norte seco historicamente predominam materiais como pedra, barro e palha, no centro o adobe e a telha, e no chuvoso sul, a madeira.

E no meio da história e dos vestígios dos imigrantes, se constroem edifícios inteligentes e complexos arquitetônicos de enorme magnitude, obras que expressam a criatividade dos profissionais chilenos. Inovação e vanguarda podem ser vistos por toda Santiago, incluindo os edifícios ecológicos. A paisagem urbana também mostra diversidade e contraste, desde as espetaculares obras de Borja Huidobro, talvez o arquiteto chileno mais famoso no mundo, até o minimalismo nas vivendas sociais de Alejandro Aravena.

A tecnologia oferece novas possibilidades arquitetônicas sem descuidar a defesa do patrimônio. Valparaíso, a cidade porto, foi declarada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO no ano 2003, graças à riqueza de suas soluções arquitetônicas. Também estão nessa categoria o Parque Nacional Rapa Nui na Ilha de Páscoa, e as igrejas de Chiloé, 16 templos de madeira integrados à rica cultura dessa zona do Chile.

Diversidade arquitetônica

Na diversidade da arquitetura chilena atual são importantes a simplicidade, a economia e o funcionalismo. Na área profissional convivem o pós-modernismo, ecletismo, racionalismo, modernismo e a arquitetura modular.  Enrique Browne, José Cruz e Borja Huidobro são representantes do pós-modernismo; Cristián Boza pertence à corrente eclética; Fernándo Castillo Velasco e Emilio Duhart, que faleceu em 2006, são racionalistas; Mathias Klotz e Felipe Assadi representam o modernismo, e Alejandro Aravena forma parte da corrente modular. Assim como em outras áreas da cultura chilena a diversidade é a principal característica.

Os edifícios do palácio de La Moneda e da catedral de Santiago são obras do italiano Joaquín Toesca. São legados da arquitetura neoclássica do século XVIII, que marcou as pautas para o posterior desenvolvimento urbano da capital. Outro construtor estrangeiro que deixou sua marca no Chile foi o célebre engenheiro Gustave Eiffel, criador da Igreja de San Marcos, da Casa de la Gobernación e da Aduana de Arica.

No norte do país, ao redor dos trabalhos do salitre no século XIX, ingleses e norte-americanos trouxeram o estilo georgiano da Califórnia, e construíram povoados inteiros com adobe e pinheiro oregon.

Na atual paisagem urbana convivem mansões neoclássicas, como a da Rua República que Jossué Smith Solar levantou para a família Alessandri e hoje é o Departamento de Engenharia Industrial da Universidade do Chile, e edifícios vanguardistas localizados principalmente no setor leste da capital.

A maioria destas edificações está no bairro El Bosque. A pouca distância, no bairro El Golf, o edifício da empresa de Consórcio Nacional de Seguros chama a atenção, pois valoriza o final da quadra com seus acessos nas esquinas, sua fachada curva e seu jardim vertical. Outros projetos similares mudaram esse setor da cidade até transformá-lo em um novo centro financeiro.

Para outros setores e segmentos da sociedade, o arquiteto Alejandro Aravena desenvolveu novas opções de desenho, que significaram vários prêmios internacionais como o Marcus Prize for Architecture 2009 dado aos arquitetos emergentes pela Universidade de Wisconsin-Milwakee. Diretor de Elemental, uma entidade sem fins de lucro que trabalha construindo bairros e vivendas sociais de qualidade. Alguns de seus projetos arquitetônicos foram realizados na cidade de Iquique, e nas comunas de Renca e Lo Espejo de Santiago.

Atualmente, no Chile se está vivendo um processo de busca que relacione os princípios e a estética da arquitetura com novas formas de compreender a profissão e a cidade contemporânea, sem deixar de se preocupar pela identidade e pelo patrimônio arquitetônico.

Patrimônio arquitetônico

Vestígios pré-colombianos, coloniais, neoclássicos e dos séculos XIX e XX, são visíveis em todo o país. Alguns destes são monumentos arquitetônicos que foram declarados patrimônio da humanidade. Na Ilha de Páscoa existem altares construídos em pedra, e a cidade de Orongo se destaca por sua singular beleza com 47 casas construídas em alvenaria. Seus tetos e muros estavam pintados de branco, preto e vermelho.

No sul do Chile a paisagem de Chiloé mostra peculiares palafitas, casas sustentadas por pilares enterrados na praia. No norte, a diversidade arquitetônica se manifesta, por exemplo, em Toconao, povoado de origem pré-hispânico erigido em um oásis vizinho à localidade de San Pedro de Atacama. A igreja de Toconao tem uma interessante arquitetura em liparita, pedra vulcânica mole e branca, extraída de uma pedreira local. A igreja de San Lucas também foi declarada monumento nacional, e seu campanário foi construído com pedra e barro aproximadamente no ano 1750. A estrutura possui três corpos escalonados, separados por cornijas fixadas no teto por pináculos nos cantos da cúpula feita de madeira de cactus.

Na arquitetura pré-colombiana se conserva um especial valor patrimonial. Um exemplo são os casarios localizados a 1.500 e 4.000 metros de altitude no caminho do Inca, no norte. Outro são os pucarás, fortalezas da zona central. Também estão as rucas, casas dos Mapuche com estruturas circulares de madeira, cobertas de palha; orientadas de leste a oeste, com a porta de entrada voltada ao oriente com o propósito de receber os primeiros raios de sol ao amanhecer.

História e sinais dos povos nativos, obras modernas que incorporam a criatividade e o desenho dos urbanistas chilenos. Essa é a arquitetura do país que possui uma louca geografia.

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