Energia

Com toda a energia do mundo, o Chile procura caminhos de desenvolvimento sustentável em um planeta global e competitivo.

martes, 03 de agosto de 2010  
Energia Energia Eólica (Photo:Endesa)

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Durante décadas o país tem se alimentado de sua potente hidrografia. No entanto, a geração de eletricidade mostra novas tendências e o Estado deu o primeiro passo criando o Programa de Eletrificação Rural. Importantes grupos estrangeiros já deixaram claras as suas intenções de investir em megaprojetos solares e eólicos. Porque um país que caminha ao desenvolvimento tem o desafio de diversificar sua matriz energética e superar a dependência de modo sustentável.

A energia é primordial para o eficiente desempenho econômico e a diversificação sustentável da matriz energética, fundamental. De este modo, o país se torna menos dependente das variações do preço internacional do petróleo, das dificuldades para receber hidrocarbonetos dos países vizinhos e dos debates em torno ao meio ambiente e ao uso de combustíveis fósseis.  

Dois terços do total da energia elétrica que o país requer são gerados com recursos hídricos próprios. A produção interna de petróleo, gás natural e carvão não são suficientes e o abastecimento externo é fundamental. A Empresa Nacional do Petróleo (Enap), encarregada da refinação e da logística, avança em projetos de gás natural liquefeito, geotermia e prospecções na jazida de Magallanes.

Enap  anunciou o início das operações de sua planta de gás natural liquefeito em Quintero, Região de Valparaíso, a meados de 2009. As instalações, que alcançam um valor de US$ 1,110 bilhão, contarão com um terminal de recepção, armazenamento e regasificação dos hidrocarbonetos provenientes do exterior e garantirão o abastecimento na zona central do país.

Principais fontes energéticas

No país existem 21 centrais hidrelétricas em funcionamento. De acordo com a Comissão Nacional de Energia (CNE), o total de recursos hídricos do país é de aproximadamente 24 mil megawatts, dos quais se encontram instalados ao redor de 4.130 megawatts, volume suficiente para cobrir cerca de 70% da demanda interna.

As excelentes condições geográficas e a estabilidade socioeconômica do país atraem grandes investidores estrangeiros, entre outrosAES Corporation, dos Estados Unidos, e Endesa, da Espanha, subsidiária do grupo italiano Enel.

Para 2009 se espera a construção da vigésima central termoelétrica no Chile, por parte da empresa brasileira MPX Energia. Um megaprojeto que representará o investimento mais importante da temporada, com 4,4 bilhões de dólares na Região de Atacama.

O país possui reservas de 30 milhões de barris de petróleo. A Enap explora poços em terra firme e costa afora na austral Região de Magallanes, e em 2007 extraiu 148 mil metros cúbicos.

Na mesma temporada, a produção de gás natural alcançou 2,012 bilhões de metros cúbicos, com reservas estimadas em 45 bilhões de metros cúbicos.

Energias renováveis para a inovação

No norte do país existem as taxas de radiação mais altas do planeta, aproximadamente cinco mil quilocalorias por metro quadrado, e os ventos alcançam velocidades de até oito metros por segundo. Trata-se de condições ótimas para a instalação de sistemas alternativos de geração elétrica.

As energias renováveis não convencionais (Ernc) são as que concentram os esforços para seu desenvolvimento. Um exemplo é o Programa de Eletrificação Rural (PER) do governo para abastecer 90% da população que vive nos setores rurais, em execução desde 1994.

Ares de mudança

As zonas costeiras das regiões de Atacama, Coquimbo e Maule oferecem um alto potencial para o desenvolvimento de projetos eólicos. Em alguns sectores dessas zonas se dá misturas de ventos costeiros e térmicos, segundo um relatório preliminar de prospecção atualizado em janeiro de 2009.

Em conjunto com a Agência Alemã de Cooperação Técnica, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e o apoio financeiro do Global Environmental Facility, a Comissão Nacional de Energia implantou uma campanha de caracterização do padrão de ventos em vários pontos boreais do Chile.

Em sociedade com investidores espanhóis, o grupo local Haciendas Talinay aportará US$ 1 bilhão a um parque eólico de 500 megawatts com 243 aerogeradores.

Capitais germanos projetam instalar em todo o país plantas elétricas por 1.800 megawatts, cada uma das quais poderia requerer um investimento de US$ 2 milhões.

Biomassa, a reutilização de resíduos

Desde o lixo até os resíduos da atividade florestal são utilizados como insumos para a produção de energia em diversos pontos do país. O biogás é extraído dos depósitos de lixo, processado e injetado a encanamentos para o uso dos habitantes de cidades como Santiago e Valparaíso.

A gasificação da biomassa florestal em uma planta de 40 quilowatts, com um investimento de US$ 2 milhões, proporciona eletricidade a famílias da ilha de Chiloé desde março de 1999.

Potencial solar

A energia solar é utilizada preferentemente na zona norte do país e o potencial é enorme já que os níveis de radiação são de aproximadamente 5 mil quilocalorias por metro quadrado e foram qualificados entre os mais altos do mundo.

De acordo com a Comissão Nacional de Energia, o desenvolvimento da tecnologia fotovoltaica inclui aplicações efetuadas por empresas de telecomunicações, retransmissão de televisão em setores isolados, sistemas de iluminação de faróis com painéis fotovoltaicos e eletrificação rural.

Entre 1992 e 2000, o Programa de Eletrificação Rural permitiu instalar aproximadamente 2.500 soluções individuais equipadas com painéis fotovoltaicos, para fornecer energia elétrica a vivendas rurais, escolas e hospitais.

Uma empresa com sede na Coreia do Sul manifestou interesse em investir no Chile US$ 1,350 bilhões, para instalar 150 megawatts de capacidade de geração em um parque com células fotovoltaicas localizado a 30 quilômetros da cidade de Copiapó, que começaria a operar em 2012.

Hidroelétricas não-convencionais

Hidrocarregadores e micro-centrais hidroelétricas são opções do Governo do Chile para gerar energia renovável de modo não-convencional. Já existem mais de cem instalações desse tipo no país, que estão destinadas principalmente a eletrificar vivendas e a telecomunicações.

As autoridades da área energética garantem que este tipo de fonte é uma opção primordial para eletrificar zonas rurais, porque diversas áreas insulares e da cordilheira são especialmente adequadas para a instalação de centrais de pequeno porte.

Poder subterrâneo

Oficialmente desde o ano 2000 uma legislação especial promove a energia geotérmica, qualificada como prioridade estratégica do país.
O território nacional, localizado sobre o denominado Circulo de Fogo do Pacífico e com quase três mil vulcões, é muito propício para este tipo de energia. O Ministério de Mineração entregou duas concessões de exploração e outras 19 de exploração em todo o país, sinal do interesse que esta atividade provoca.

Alternativa nuclear

O caráter estratégico desse tipo de abastecimento motivou o Governo a solicitar diversos estudos que permitam avaliar a conveniência de utilizar energia nuclear para produzir eletricidade. Em 2007, a Presidente Michelle Bachelet recebeu um relatório da comissão dirigida pelo físico Jorge Zanelli.

Para o final de 2009 espera-se a entrega de novos documentos específicos acerca do papel que o Estado e o setor público devem assumir sobre as opções do ciclo de combustível nuclear, o marco regulamentar, a opinião pública e as respectivas análises de impactos e riscos.

De acordo com os cânones da Agência Internacional de Energia Atômica, uma planta demanda cerca de US$ 6 bilhões e requer um tempo de 10 ou 12 anos de instalação.