Ilha de Páscoa

1.700 anos de cultura em uma ilha no meio do pacífico. Os moais, enormes esculturas de pedra recebem o visitante.

martes, 03 de agosto de 2010  
Isla de Pascua Isla de Pascua (Photo: ProChile)

Longe do mundo e perto do paraíso, no meio do Oceano Pacífico e a 3256 km do território chileno, a Ilha de Páscoa é uma pequena ilha de 180 km quadrados. Vulcões apagados, praias maravilhosas e, sobretudo, enormes esculturas megalíticas chamadas de moais, transformaram o lugar numa espécie de enigma que atrai visitantes de todo o planeta.

Rapa Nui, seu nome em idioma nativo, preserva uma cultura com raízes que se remontam há 1700 anos. No ano 300 dC, correntes migratórias da polinésia foram a origem de uma série de mitos e lendas que até hoje são transmitidas intensamente. Especialmente a dança e a música tradicional, as festas, o idioma e os famosos moais são patrimônios da ilha povoada por quase 5 mil habitantes. Ao chegar, o visitante é recebido com um singular colar de flores em forma de boas-vindas. Mal descem do avião e as pessoas de Rapa Nui fazem com que os recém-chegados sintam todo o seu calor e afeto.

O primeiro contato europeu com a ilha foi protagonizado pelo marinheiro holandês Jakob Roggeveen, no dia 5 de abril de 1722, dia da Páscoa de Ressurreição. E essa é a origem do seu nome. Os nativos a chamam Rapa Nui, que significa Grande Rapa (Rapa é o nome de outra ilha) ou Te Pito ou Te Henua, que significa “o umbigo do mundo”. Posteriormente,em 1888, Policarpo Toro tomou posse do lugar em nome do governo chileno.

Moais e arqueologia

Em diferentes pontos da ilha podem se avistar estas imponentes estátuas. Aqui vai uma lista dos diferentes sítios arqueológicos.

Rano Raraku: Neste lugar existem trilhas de excursão de 1.000 m que levam à fabrica de moais. Nesta pedreira se podem apreciar perto de 400 estátuas em diferentes momentos de sua construção e transporte. Atividade que parece ter sido abandonada de repente, sem uma explicação cabal deste acontecimento até os dias de hoje.

Ahus: Ao redor de toda a ilha se encontram perto de 300 plataformas ou altares chamados ahus, a maioria já destruída. Destacam-se os sítios de Vaihu, Akahanga, Heki’i, Raai, Te Peu e Vinapu, onde é possível observar estátuas, restos de assentamentos humanos com casas, cavernas, fogões e galinheiros, além de sítios de cultivo e cerimoniais.

Complexo Tahai-Ko Te Riku: Este sítio arqueológico se localiza no povoado de Hanga Roa e é conhecido como uma restauração completa, onde é possível visualizar casas de pedra, galinheiros, sítios cerimoniais, três plataformas com moais (Tahai, Vai Uri, Ko Te Riku), além de um cais feito totalmente de pedra.

Ahu Huri A Urenga: É uma restauração localizada perto do povoado de Hanga Roa, que possui uma estátua orientada para o ponto de saída do sol no dia do solstício de inverno. Este momento astronômico marca não somente o começo da temporada invernal, tonga em rapa nui, mas também o começo das diferentes proibições, tapu em idioma nativo, sobre a pesca e outras atividades.

Ahu Akivi: Trata-se de um complexo arqueológico restaurado pelo arqueólogo William Mulloy em 1960. Pode-se observar 7 estátuas com seus olhares voltados para o pôr do sol no mar. A tradição conta que estes 7 moais representam os sete primeiros exploradores que chegaram em Rapa Nui, enviados pelo rei Hotu Matu’a.

Ahu Ature Huki: Localizada na praia Anakena, é a primeira restauração feita durante a expedição norueguesa em 1956. Possui uma estátua de aspecto antropomorfo e aparentemente mais antiga do que as que estão nas plataformas vizinhas.

Ahu Nau Nau: Restauração feita pelo arqueólogo rapanui Sergio Rapu, no final dos anos 70. Encontra-se na praia Anakena. São 7 estátuas muito bem conservadas nas quais se observam detalhes impossíveis de serem apreciados em outros moais, como tatuagens, terminações e vestimentas. Neste lugar foi encontrado, durante a restauração, um olho de moai, que atualmente se exibe no Museu da Ilha. A viagem através destes sítios arqueológicos constitui um incrível contato com a magia e a energia que emanam da ilha. Ainda hoje continuam sendo lugares de verdadeira importância para a comunidade local, motivo pelo qual sempre se recomenda guardar enorme respeito das normas de cada uma das zonas. Aconselha-se não subir nos ahus nem nos moais, não tocar ou rabiscar os petroglifos nem outras testemunhas culturais.

Cavernas e Vulcões

A paisagem de origem vulcânica oferece interessantes marcos geográficos que os amantes do trekking podem percorrer. Uma série de aves e vulcões extintos provoca sensações poderosas, como se arrastar na escuridão à plena vista dos planaltos verdes da ilha que contrastam com o azul eterno do Pacífico.

Ana o Keke e Ana Te Pahu são as cavernas mais populares. A primeira é a Caverna das Virgens por ter sido o lugar onde as mulheres pascoenses da antiguidade eram encerradas para que se branqueassem antes do matrimônio. Há que entrar se arrastando e está localizada na face norte do morro Poike. Já Ana Te Pahu se encontra no lado leste da ilha e possui uma grande cavidade com quatro câmaras que eram utilizadas como habitações e ossários.

A caminhada para o vulcão Rano Kao é a mais popular. Trata-se de uma excursão para um dia completo, passando por florestas de eucaliptos até subir à cratera, onde se realiza a descida e a visita do mesmo. O que antes foi a boca da cratera, hoje possui uma grande quantidade de plantas nativas, além de outras introduzidas, bem como também petroglifos únicos em seu tipo. Existe também outro percurso menos frequentado entre as escarpas da zona norte com moais caídos no caminho.

Praias

Anakena e Oyahe
: São as únicas praias de areia da ilha. Anakena é a mais importante, Oyahe é menor e encontra-se um pouco mais a leste. A imagem que apresenta Anakena é paradisíaca: areia, palmeiras e mar turquesa. Há dois ahus reconstruídos, pode-se acampar e, além disso, há uma creche. É uma praia de águas mornas, apta para o banho.

Praias de Surfe: Em Hanga Roa, Vaihu e Tahai há ondas para principiantes e experientes. A primeira delas possui uma onda ideal para novatos, na que desde tempos antigos se praticava o domínio das ondas. Os nativos utilizavam o haka nini, espécie de bodyboard atual. Vaihu possui uma bela onda tubular, enquanto Tahai possui as maiores da ilha.