Arquipélago de Juan Fernández

São três ilhas de origem vulcânica a 670 km da costa chilena. Juan Fernández comove com sua natureza endêmica.

martes, 03 de agosto de 2010  
Archipiélago de Juan Fernández Archipiélago de Juan Fernández (Photo: Turismo Chile)

O arquipélago de Juan Fernández possui uma longa história. Composto por três ilhas cheias de mistérios, Robinson Crusoe, Santa Clara e, a mais distante,Alejandro Selkirk, surpreende com quebradas na beira-mar, esplêndidas águas para mergulhar e uma população que mora no lugar há pouco mais de um século. Estes são os lugares mais enigmáticos da geografia chilena.

Destacam-se a sua natureza endêmica, a transparência de suas águas ideais para o mergulho; uma gastronomia singular na qual se destacam lagostas e vidrieros, e San Juan Bautista - um povoado de 600 habitantes - receptivo e acolhedor com os estrangeiros. Suas paisagens oferecem a possibilidade de realizar caminhadas solitárias, além da descoberta de lugares pouco visitados como a ilha Alejandro Selkirk localizada a várias horas de navegação ao oeste da ilha Robinson Crusoe.

Em pleno século XXI, a forma de chegar à zona é em navios mercantes ou da Armada, e em teco-teco. Estes são os únicos meios que permitem chegar a uma zona íngreme, de grandes montes e escarpas de origem vulcânica que datam aproximadamente de dois milhões de anos. Declarada Reserva nacional da Biosfera pela Unesco e Parque Nacional pelo Estado do Chile, a natureza do arquipélago preserva uma grande quantidade de espécies endêmicas.

O clima é marítimo subtropical, com alta umidade ambiental. A média anual de temperatura é de 15º C. As chuvas se concentram no inverno, entre maio e setembro. No verão também chove, mas a temperatura é muito agradável. A melhor época para visitar Juan Fernández é entre novembro e abril.

Náufragos, tesouros e batalhas navais

Durante muito tempo não se pôde comprovar a existência de uma população nativa. Em 1534 o navegante lusitano Juan Fernández descobriu o conjunto do arquipélago ao tentar uma rota de navegação que diminuísse o trecho entre os portos de Callao, no Peru, e Valparaíso. No dia 22 de novembro desse ano ele chegou à atual ilha Robinson Crusoe, conseguindo que as ilhas formassem parte dos mapas marítimos.

Utilizadas por corsários e piratas como lugar de reabastecimento de frutas e água doce, no século XVIII acolheu o seu habitante mais famoso: Alexander Selkirk, que foi abandonado na ilha após uma disputa com o capitão da sua embarcação, e viveu sozinho por mais de 4 anos. Quando o resgataram e ao ser enviado de volta à Inglaterra, o relato de seus dias de náufrago entre cabras e morros serviu como inspiração para que Daniel Defoe escrevesse o famoso romance “Robinson Crusoé”. Há poucos anos J.M. Coetzee, Prêmio Nobel de Literatura, escreveu “Foe”, uma obra baseada na mesma história a partir de outro ponto de vista.

A época dos corsários também deixou um precioso tesouro que ainda hoje é procurado por aventureiros e robôs detectores de metal. Em 1714, um marinheiro espanhol de sobrenome Ubilla ocultou nas praias da ilha 80 barris de ouro e diamantes. Navegantes ingleses os encontraram e os esconderam tão bem que ninguém pôde encontrá-los. Este é um dos mitos da ilha que mais desperta a curiosidade dos visitantes.

Durante o período da independência, a ilha Robinson Crusoe foi utilizada como cadeia para um grupo de patriotas e também foi testemunha do primeiro enfrentamento naval da 1ª Guerra Mundial entre a marinha inglesa e a alemã, que deixou como resultado o afundamento do encouraçado germano Dresden frente à Baía de Cumberland.

Natureza viva

O parque nacional possui uma superfície de 9.571 hectares. Abrange as ilhas de Santa Clara, Alejandro Selkirk e a maior parte da ilha Robinson Crusoe. Bem como descreveu Daniel Defoe, a ilha Crusoe é um paraíso perdido. Morros imponentes, escarpas, cavernas submarinas e um elétrico mar azul profundo fazem com que o visitante se sinta num lugar mágico, desenhado pela mãe natureza de uma forma pouco vista no planeta.

O território possui uma notável diversidade; existem 218 espécies de flora nativa, 136 delas endêmicas, o que proporciona à ilha um importante valor botânico e científico. Em 1953, as três ilhas foram declaradas Parque Nacional Arquipélago de Juan Fernández e, em 1977, Reserva Mundial da Biosfera pela Unesco.

A flora e a fauna das ilhas são únicas no mundo. Toda a vegetação que migrou a estas ilhas há 2 milhões de anos é semelhante à flora de outros lugares distantes como Nova Zelândia, Havaí, Magalhães e também Los Andes. As sementes chegaram através do ar, da água ou transportadas por aves, e aqui evoluíram de uma forma singular.

Por sua localização geográfica, longe do continente, as ilhas são parada obrigatória de preciosas aves marinhas migratórias como as delicadas fardelas. Estes terrenos também são residência permanente de diferentes espécies endêmicas como o beija-flor vermelho que não se oculta das câmaras nem sequer nas ruas do povoado, ou o Blindado, ave de rapina endêmica da ilha Alejandro Selkirk. Dentro das espécies marinhas se destaca o lobo marinho de dois pêlos. Também merece ser mencionada a lagosta de Juan Fernández, que habita o fundo marinho rochoso e é o principal sustento dos habitantes de Robinson Crusoe.

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