Coyhaique, capital da Estrada Austral

Na região de Aysén, com raízes chilenas e argentinas, há uma passagem obrigatória para se internar na rota patagônica.

miércoles, 04 de agosto de 2010  
Coyhaique Coyhaique (Photo:TurismoChile)

Um persistente frio quase o ano todo faz com que os mais de 50 mil habitantes da cidade vivam no aconchego das lareiras que recheiam os ventos com seus aromas. A natureza se manifesta silenciosamente no espetáculo das grandes montanhas nevadas.

Localizada a 1.649 km ao sul de Santiago, todos os caminhos parecem levar a Coyhaique. É a capital regional de uma zona com poucos povoados e que se conservou alheia à colonização espanhola, mantendo assentamentos pré-hispânicos em seus canais e na vertente oriental de Los Andes. Após várias tentativas, entre 1903 e 1906, a administração da companhia mais importante da Região - a Sociedade Industrial de Aysén dedicada à criação de ovelhas - instalou-se no Vale do Rio Coyhaique. Neste lugar conhecido como a Pampa del Corral, no dia 12 de outubro de 1929 foi fundado o povoado de Baquedano, que depois mudaria de nome para Coyhaique.

Hoje é um pujante lugar de comércio e transformou-se numa moderna cidade. Com serviços variados é o ponto de partida para percorrer a região de Aysén. Saindo de Puerto Montt pela Estrada Longitudinal Austral através de parques naturais e formosas paragens é possível chegar a Coyhaique. Também há aviões que fazem esta rota em duas horas partindo de Santiago.

Atrações da cidade
A praça de armas é pentagonal, a única em seu tipo no Chile. Dez ruas desembocam nos arvoredos que abrangem o principal centro de Coyhaique. Destacam-se a Glorieta, o terraço do Odeón e a Fuente Central que se conservam desde a sua construção na década de 1930.

A Feira Artesanal está localizada entre as ruas Horn e Dussen, onde se podem apreciar trabalhos feitos com couro curtido natural e suas múltiplas aplicações; talhados em madeira nativa, cerâmicas, petroglifos, trabalhos em fibras vegetais e cestaria, entre outros. Estes artesanatos provêm de diferentes pontos: Puyuhuapi, Puerto Cisnes, Puerto Aysén, Puerto Ibáñez, Villa Ortega, Chile Chico, Lago Verde e Cochrane.

Monumento ao Ovelheiro: Cartão postal obrigatório e símbolo de Coyhaique. Sua história é bastante curiosa; a atual obra se instalou inicialmente em Punta Arenas, em 1944, para ser substituída 18 anos depois por uma versão em bronze. A original, criada pelo escultor Germán Montero, foi trasladada à cidade sobre a base da figura do ovelheiro local Abel Oyarzún e seus cachorros.

Museu Regional da Patagônia: Localizado a meia quadra do Ovelheiro, exibe o patrimônio dos colonos e dos antigos habitantes da região: os Aonikenk. A mostra inclui características naturais e história desde as primeiras ocupações aborígenes até o período da colonização, com uma completa mostra da formação geográfica regional. Há testemunhas históricas e utensílios domésticos das etnias nativas e dos colonizadores chilenos e estrangeiros, fotografias, cartas geográficas, textos, documentos e arquivos de grande importância.

Reserva Coyhaique: A natureza circunda toda a cidade de Coyhaique. Isto fica evidente a somente 5 km ao norte da cidade, nos 2676 hectares protegidos de florestas como lenga, coigüe e ñirre, sobreviventes dos incêndios provocados pelos colonos na metade do século XX e que deixaram grande parte do território convertido em estepe. Há uma série de trilhas para visitar lagunas, a mais popular é a Laguna Verde, e uma caminhada atravessando a floresta de lenga permite ter acesso ao pico do morro Cinchao, de 1361 m de altitude.

Piedra del Indio: Perto do rio Simpson, na direção oeste, encontra-se a famosa Piedra del Índio. Uma formação de rochas esculpida pelos elementos erosivos, com forma de perfil humano. Pode ser apreciada a partir da ponte pênsil sobre o rio Simpson.

Atrações próximas

Rio Simpson: Um dos melhores lugares para pescar e está a somente dois quilômetros da cidade. Oferece ótimas condições para a pesca com mosca de trutas fário e arco-íris. Este rio corre ao longo de um estreito vale de 40 km. Possui um grande número de rápidos, correntezas e poços, ideal para a prática de esportes como caiaque e rafting, motivo pelo qual é palco do Festival do Caiaque da Patagônia.

Puerto Aysén – Puerto Chacabuco: Estes são povoados quase irmãos, separados por poucos quilômetros e com identidades bem definidas. Chacabuco, localizado a 79 km de Coyhaique, é um porto de embarcações mercantes nas que viajam principalmente os turistas que se dirigem à Laguna San Rafael. Enfrenta os canais patagônicos e os morros cheios de florestas, enquanto em suas poucas ruas se respira tranquilidade. Há hotéis de bom nível.

Puerto Aysén, distante a 65 km ao oeste de Coyhaique, localiza-se aos pés do Morro Marchant, nas confluências dos rios Aysén e Los Palos. Além do povoado de mais de 10 mil habitantes, sempre amáveis com os viajantes, destacam-se os seus arredores, paisagens de montanhas com exuberante vegetação e picos nevados, fiordes e canais. A ponte pênsil Presidente Ibáñez chama a atenção do visitante por ser a mais extensa do país com 210 m de comprimento e foi construída principalmente com cabos de aço. Foi declarada Monumento Nacional. É recomendável passar pela Praça de Armas e comprovar a pacífica existência desse povoado.

Lago Elizalde: a paisagem ribeirinha deste estreito lago são de coigües e lengas cobrindo os morros, um dos mais emblemáticos ao sul de Coyhaique. Somente 33 km o separam da bacia lacustre que possui 25 km de extensão e 2 km de largura. É ideal para atividades como a pesca e o trekking, possui hospedarias e um porto para lanchas. É o ponto de partida para ir a outros lagos como o Caro, a Paloma ou o Atravesado.