Canais patagônicos, para navegar os mares austrais

A travessia de Puerto Montt a Puerto Natales percorre ilhas, vestígios de naufrágios, pequenas aldeias de pescadores e glaciais que desembocam na água.

miércoles, 04 de agosto de 2010 Categoría: DestinosTop
Archipielago Archipielago (Photo:Nomads of the Seas)

Várias empresas oferecem o circuito naval entre Puerto Montt e Puerto Natales. Em geral, a rota é realizada em quatro dias durante os quais a nave passa por lugares desabitados onde a natureza se torna impenetrável e perfeita. 

A paisagem é claramente insular e é composta por enormes cordões montanhosos nevados que se afundam no mar, sem praias e cobertos de florestas. Não há povoamento nenhum à vista até a chegada ao famoso canal Moraleda; ali aparece Puerto Aguirre, pitoresca e colorida aldeia de pescadores onde, de vez em quando, sobe ou desce alguém.

Posteriormente, a navegação passa pela península de Tatio, atravessando o mítico Golfo de Penas. São 12 horas de violento fluxo de ondas, o que provoca possíveis enjôos e o melhor é estar dentro do navio para se acalmar. Aos que resistem a este dia, será uma grande experiência marítima.

O navio cruza um amplo território de áreas protegidas. Entre elas se encontram o Parque Nacional Ilha Magdalena; o Parque Nacional Laguna San Rafael; a Reserva Nacional Kalalalixar; o Parque Nacional Bernardo O’Higgins, o maior do país, e a Reserva Nacional Alacalufes. O clima é frio, às vezes intenso, por isso é recomendável levar roupa grossa, câmara fotográfica e sair à coberta.

Durante milhares de anos, a região dos canais patagônicos foi habitada pelo povo originário Kawésgar, hábeis navegantes localizados entre o Golfo de Penas e o Estreito de Magalhães sudoeste. Apesar de lhes haver passado o mesmo que ao resto das etnias patagônicas, dez membros originais ainda sobrevivem em Puerto Edén, localizado na costa oriental da Ilha Wellington. Os cientistas prognosticam que essa raça se extinguirá em 50 anos aproximadamente.

O enclave possui casas coloridas localizadas num pequeno monte, com passarelas de madeira em vez de ruas ou cimento. Fundada em 1969, sua população é de 300 pessoas que se dedicam, principalmente, à extração e defumação de mexilhões. Há possibilidades de ficar ali por uns dias ou deter-se umas poucas horas durante o percurso dos buques.

Glaciais e campos de gelo

Próximo a Puerto Edén e guardado pelo Parque Nacional Bernardo O’Higgins, encontra-se uma das grandes atrações da rota, o glacial Pío XI. Esta imensa massa de gelo que compõe Campos de Hielo Sur possui vários recordes. É o único glacial em avanço na Patagônia, um metro por ano, enquanto quase todos se derretem. Seu avanço tem invadido a floresta e suas paredes alcançam uma altura de 80 m e uma extensão de 6 km. É uma massa enorme de 1263 km2, o maior glacial da América do Sul.