Rota do vinho

Cálices, gastronomia e muito mais

Um antigo trem cruza povoados, vinhedos e observatórios astronômicos. Uma taça chega à mão e a terra fala do vinho.

lunes, 09 de agosto de 2010  
Viña Concha y Toro Viña Concha y Toro (Photo:Turismo Chile)

Nos últimos anos, o crescimento do vinho no Chile tem motivado o surgimento de uma série de rotas que unem várias destas empresas vitivinícolas, criando circuitos que oferecem muito mais para o visitante.


São as Rotas do Vinho, com passeios pelos vinhedos onde se aprende sobre os processos produtivos dos mostos e se provam algumas das variedades principais de cada cepa. Cada uma das rotas tem alguns segredos: hotéis boutiques, passeios em antigos trens ou de mountain bike por entre as videiras, restaurantes onde se faz a maridagem e as tradicionais festas da Vindima, nos meses de outono.

Rota do vinho Vale do Maipo. Atualmente são sete vinícolas que formam parte da Rota de Vinhos do Maipo Alto. São eles: El Principal, La Montaña, Huelquén, Hacienda Chada, Portal del Alto, Pérez Cruz e Haras de Pirque. É uma zona interessante para visitar, devido à sua arquitetura e a possibilidade de visitar centros de artesanato ligados às diferentes vinhas. Também oferecem boa gastronomia.


Rota do vinho Vale de Casablanca. Este vale soma mais de 4.500 hectares de plantações, e está situado na metade do caminho que une Santiago a Viña del Mar. Tem fama de produzir os melhores vinhos brancos do país; especialmente das cepas Sauvignon Blanc e Chardonnay. Também é importante o tinto Pinot Noir. Existem muitos vinhedos em Casablanca. Quase todos têm um centro de visitantes, restaurantes e até museus. Alguns deles são. Matetic, Veramonte, Emiliana, Catrala, Indômita. Uma dica especial: a Viña Casas del Bosque tem o Tanino Wine Bar & Lounge, ideal para visitar ao entardecer, depois de uma viagem pela zona. Para almoçar, é recomendável o restaurante Equilíbrio da Viña Matetic.

Rota do vinho Valle de Colchagua. Aqui a estrela é o Trem do Vinho: um fantástico trem a vapor que parte todos os sábados da estação de San Fernando. Há dezenas de vinícolas em Colchagua. Algumas delas são Casa Lapostolle, Bisquertt, Cono Sur, Casa Silva, Estampa, Laura Hartwig, Montes, MontGrass, Luis Felipe Edwards, Macaya e Santa Cruz. Esta última tem um restaurante no Cerro Chamán; para chegar há que pegar um teleférico que leva até o topo. Lá também se encontra o Observatório Cerro Chamán, para observar estrelas de noite.  Em Santa Cruz, o ideal é hospedar-se no Hotel  Santa Cruz. Na região há vários hotéis boutique. Alguns deles são o Hotel Vendimia e o Hotel Residência Histórica de Marchigue.

Clássicos de Santiago


A cultura do vinho também está em Santiago. Em poucas horas é possível conhecer algumas das vinícolas mais importantes (enlace a Santiago).
Viña Concha y Toro. Foi fundada pelo magnata da mineração Francisco Subercaseaux, apesar do negócio vitivinícola ter sido desenvolvido por seu sobrinho, dom Melchor Concha y Toro, muitos anos depois. Ele foi um visionário que importou da Europa não somente novas cepas, como também a tecnologia que permitiu produzir vinhos muito bons. Todo esse passado pode ser observado em terreno. E, a propósito, se pode percorrer os fantásticos jardins e provar alguns dos mais famosos vinhos desta viña. Avda. Virginia Subercaseaux 210, Pirque. Telefone: 2- 8530042

Viña Cousiño Macul. A entrada para a lagoa desta vinícola está ladeada por uma porta de ferro na qual se ressaltam as figuras de Adão e Eva. A mensagem é clara. É a entrada ao Paraíso. E como não. Se este monumental parque, que resume a bonança da aristocracia chilena durante o século XIX, destila toda a serenidade e esplendor que hoje cuidam oito jardineiros em tempo completo. Comprada por Matias Cousiño, magnata do carvão em 1856, com a ideia de fazer um parque monumental, o que originalmente foi uma pequena e fértil fazenda inca logo se transformou em um belo vinhedo.

Nesse tempo, o paisagista francês Gustave Renner, já havia criado um impressionante parque de 24 hectares no qual ainda é possível observar um cipreste do Líbano – tão grande que pode ser rodeado por uma ciranda de nove pessoas-, assim como os ginkos, robles, seibos, sequóias e magnólias grandiflora. Em algum momento foi admirado pelo escritor Albert Camus. Hoje, apesar de o vinho ser o mais importante, todos os passeios pelo vinhedo percorre os jardins antes de visitar a adega principal. Nesta última estação, os visitantes podem conhecer os vinhos mais finos, como o exclusivo Cabernet Almaviva. Avda. Quilín 7100. Telefone: 2-3514100.