Guia de Atrações

Trekking no Chile

O Chile espera todos os amantes da flora e da fauna com um vasto e inexplorado território para conhecê-lo passo a passo.

lunes, 09 de agosto de 2010  
Trekking por la naturaleza Trekking (Photo: Nomads of The Seas)

Trekking é o nome internacional que foi dado às caminhadas. A geografia nacional oferece uma série de pontos que convida a pegar a mochila e a se adentrar na natureza diversificada que o país oferece.


Paisagens andinas, um litoral extenso, desertos no norte, florestas e selvas no sul, além da imponente Patagônia, são as cativantes opções para os que desfrutam de carregar uma mochila nas costas, caminhar por trilhas e se maravilhar ante a magnificência da natureza. Não é preciso se afastar muito das principais áreas urbanas para fazer o trekking.


Uma grande rota permite ingressar nas principais atrações nacionais. É o Sendero de Chile, uma iniciativa governamental que promove o conhecimento do país através de meia centena de caminhos devidamente habilitados, que contam com mapas e acessos a zonas patrimoniais de singular atrativo e valor.


Para emoções mais fortes, o sul do Chile oferece as melhores experiências. Com um clima sempre variável, imponentes vistas panorâmicas sobre montanhas nevadas, florestas de araucárias e fauna sempre presente, o sul se transformou num objeto de desejo para os trekkers. É importante ressaltar os dois emblemas patagônicos que se tornaram símbolo internacional para os amantes da caminhada: As Torres del Paine, verdadeiro emblema nacional, e os “Dientes de Navarino”, o trekking mais austral do mundo.

As zonas que apresentamos à continuação são somente uma parte do vasto território ainda por descobrir. Muitas se encontram em áreas rurais, ou são completamente silvestres, sendo necessário que o próprio esportista cuide de sua segurança, use sapatos adequados, bloqueadores e consuma alimentos não-perecíveis. Dessa forma, certamente a experiência será uma verdadeira comunhão de vida e natureza.

Lugares destacados


Laguna Miscanti: a 100 quilômetros de San Pedro de Atacama, na segunda Região e no meio do deserto mais árido do mundo, encontra-se a lagoa Lejía. A partir deste lugar, começa uma expedição de 25 quilômetros com vista a vulcões e cerros que se avermelham durante o entardecer. É um trekking de altura, acima dos 4.000 metros em pleno planalto chileno. A média é de onze horas de caminhada até chegar à lagoa Miscanti. No dia seguinte, é possível subir a ladeira do vulcão Miscanti, de mais de 5.600 metros de altura, chegando ao pico após sete horas de caminhada.

Parque Nacional La Campana: na V Região, os oito mil hectares protegidos e transformados em parque Nacional em 1967 foram declarados Reserva da Biosfera pela Unesco em 1987. Possuem uma enorme riqueza natural na qual converge a floresta esclerofila composta por peumos (Cryptocarya alba), espinheiros e litres (Lithraea caustica), dentre outros, e uma área na qual é desenvolvida a palmeira-do-chile (Jubaea chilensis), com mais de 62 mil exemplares que proporcionam um marco geográfico único no Chile. Há trilhas de trekking, destacando a que une, em seis horas, o setor de Ocoa com o de Granizo, com grandes vistas panorâmicas dos Vales da V Região, e a trilha Andinista. São oito horas de ida e volta que terminam no pico do Cerro La Campana, com uma impressionante vista dos Andes e do Pacífico.


Santuário Natural Yerba Loca: a somente 25 quilômetros de distância de Santiago, situada na curva 15 do caminho a Farellones, essa paragem montanhosa se espalha por 39 mil hectares e oferece no seu interior uma caminhada de dois dias até chegar ao belo glaciar pingente La Paloma. As paisagens do cordão da cordilheira e a avifauna que pode ser vista permanentemente acompanham os 15 quilômetros até o local.

Cerro Provincia: está a mais de 3.000 metros de altura após a comuna de Lo Barnechea, em Santiago. Dos cerros do cordão San Ramón, também composto pelos cerros Tambor, Ramón e Punta de Damas, o Província é o mais visitado. É de terreno seco ou árido durante a maior parte do ano e de seu topo é possível divisar aves de rapina, como o condor ou o gavião de dorso vermelho. Após cinco ou seis horas de viagem, pode-se apreciar uma vista panorâmica incomparável da bacia de Santiago.


Altos de Lircay: Nos últimos tempos esta reserva natural adquiriu especial fama. Encontra-se nas ao redor do Maule e se destaca principalmente pela trilha Valle del Venado, de 17 quilômetros de extensão e para três ou quatro dias de ida e volta. Ascende a ladeiras vulcânicas de onde se pode ter uma grande vista panorâmica. É possível chegar até as águas termais caminhando mais 10 quilômetros (link à zona central).


Parque Nacional Huerquehue: Bastante próximo a Pucón, na região da Araucanía, e em plena cordilheira, há um dos parques nacionais mais famosos deste setor, devido a sua beleza de cenários. Destacam-se os mirantes, lagoas internas e florestas de araucárias com vista ao lago Caburgua. Com uma extensão de 12.500 hectares, é um poderoso atrativo para os amantes do trekking com várias trilhas autoguiadas. (link à zona sul).


Vulcão Villarrica: é um típico trekking de montanha, com uso de piolets e grampões. O cone do vulcão, que ainda está ativo, fica a cinco horas de subida. A vista panorâmica do pico é incomparável. Pode-se apreciar a bacia das principais lagoas além do vulcão Lanin. É preciso subir com guia, e a descida pode ser feita deslizando velozmente sentado na neve (incluir foto).


Rota de Los Jesuitas: trata-se de uma trilha pelo interior de um maravilhoso vale de quase 70 quilômetros de extensão, que une o estuário de Reloncaví ao lago Todos los Santos. Chega até San Carlos de Bariloche, na Argentina. A rota percorre parte do que foi a mítica trilha de Los Jesuitas, descoberta pelos próprios religiosos no século XVIII, enquanto procuravam uma forma de chegar à zona do lago Nahuel-Huapi, mais além dos Andes. Há belezas superlativas como a lagoa Cayutué e o vulcão Tronador. É para 10 dias de caminhada, pelo menos.


Parque Nacional Chiloé: tem uma superfície de 43.057 hectares divididos em três setores. O primeiro corresponde ao setor Chepu, com 7.800 hectares, o segundo ao setor Anay, com uma superfície de 35.207 hectares, e o terceiro está conformado pela ilhota Metalqui, de 50 hectares. Partindo da zona sul há um belo trekking de três horas através da praia Anay. É um dos poucos pontos onde é possível observar o Pacífico e sua bravura, enquanto a solitária praia limita-se com uma bela floresta nativa.


Torres del Paine: é o lugar mais famoso da Patagônia e todos os anos seduz milhares de mochileiros que fazem trekking e se conectam com a natureza patagônica de forma profunda. Oferece os melhores circuitos do Parque, de quatro dias a mais de uma semana: o Grande e a W. Com impecável vista panorâmica da intrincada formação da cordilheira do Paine e do majestoso Campos de Hielo Sur. O verão é o tempo perfeito para começar a travessia. Este é um dos lugares mais belos do Chile.


Dientes de Navarino: nem mais nem menos que a caminhada mais austral do mundo. Tem pouco tempo de funcionamento, mas uma grande fama entre os amantes da aventura. Com alturas que superam os mil metros, as montanhas da ilha Navarino são uma presença permanente e suas formações se assemelham a uma mandíbula com gengivas de neve. O trekking até a base é de três ou quatro dias, considerando o estado físico e a paciência do caminhante. Na zona, há que estar atento às variações do tempo. Os fortes ventos e as baixas temperaturas são comuns nas paisagens patagônicas.

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