Vales interiores: Jóias a serem descobertas

Limarí, Encanto e Pichasca oferecem restos de dinossauros e também uma misteriosa arte rupestre de antigos habitantes da zona.

miércoles, 08 de septiembre de 2010  
Parque Nacional Fray Jorge Parque Nacional Fray Jorge (Photo: Conaf)

Os vales do Atacama e Elqui são menos conhecidos, mas nem por isso menos surpreendentes. São uma espécie de jóias por descobrir. Fazem parte de um Chile mais profundo onde a natureza ainda convive com o homem de maneira harmônica.

 

Trata-se de vales que geram uma mudança de visões. Da aridez geográfica típica da maior parte deste território, passa a grandes manchas verdes possíveis pelos rios que descem dos Andes. Através dos séculos foram lugar de descanso dos povos nativos, que deixaram sua marca em impressionantes petroglifos.

 

Vale do Limarí

 

O Vale do Limarí é cada vez mais conhecido pela produção de vinhos finos privilegiados pelo clima. O Parque Nacional Fray Jorge e o Vale do Encanto são dois lugares para se conhecer.

 

Parque Nacional Fray Jorge

 

É um bosque relicto, tipo valdiviano, localizado em uma zona desértica costeira. É como se o sul tivesse se mudado para o norte. Somente assim se poderia explicar a sensação que provoca entrar no enorme bosque que se abre a poucos quilômetros de Ovalle e que rompe a aridez habitual da zona. Localizado a 150 quilômetros ao sul de La Serena e a 75 de Ovalle, seus 9.959 hectares foram declarados Reserva Mundial da Biosfera pela Unesco.

 

Este fenômeno vegetal é resultado da  condensação da neblina costeira, ou camanchaca, que permite o crescimento de árvores como caneleiros, olivillos, tepas e uma grande variedade de samambaias que sobrevivem a mais de 1.250 quilômetros de seu habitat tradicional. Fray Jorge é o herdeiro do que esta região foi a milhares de anos, antes da última glaciação.

 

O espetáculo se torna realmente impressionante quando se sobe ao pico de um dos morros em um dia limpo, aí se pode observar o contraste do desértico com a frondosidade do bosque. A melhor época para visitar o parque é em outubro e novembro, durante o período de floração.

 

No Fray Jorge existe uma área de camping conhecida como El Arrayancito e conta com lugares para cozinhar, água potável e serviços higiênicos.  A administração  é da Conaf, cujos escritórios se encontram em uma grande casa de mais de 100 anos de antiguidade, a 5 quilômetros da entrada ao parque. Fora de temporada, está aberta somente nos finais de semana e feriados, no resto do ano consultar nos escritórios da Conaf.

 

Vale do Encanto


Um museu ao ar livre que guarda vestígios do passado ao redor da Viña Tabalí. Estima-se que a cultura Molle e outros grupos de caçadores habitaram a zona desde o ano 2000 a.C. até o século VII. Por isso, no Vale do Encanto é possível apreciar uma grande variedade de petroglifos, incluindo desenhos de máscaras tiaras, figuras humanas com antenas, símbolos solares e pictografias em forma de serpentes e peixes.

 

Outra das curiosidades, até agora sem nenhuma explicação, são as chamadas pedras tacitas que teriam sido utilizadas para moer grãos ou preparar pinturas e beberagens para desconhecidos rituais chamânicos. Conta com  camping e zona de piquenique.

 

Pichasca


Visitar Pichasca é realizar uma caminhada pela pré-história. Uma réplica de um dinossauro, fósseis de antigas araucárias,  uma enorme caverna e espetaculares mirantes sobre o vale do Rio Hurtado, são as máximas atrações deste lugar.

 

O Monumento Natural Pichasca é conhecido como o Parque Jurássico Chileno. Encontra-se a 85 quilômetros ao sul de La Serena, no vale do Rio Hurtado, uma zona com clima semi-desértico onde os bosques de cactos de mais de 2 m de altura aprisionam a vista do visitante.


Pichasca é surpreendente. O lugar é misterioso, belo e sereno. Principalmente quando, depois de uma caminhada curta se chega aos pés de um tiranossauro, grande dinossauro de plástico que foi reconstruído quando os moradores encontraram alguns ossos do animal que habitou a região ao menos 75 milhões de anos atrás.

 

Não menos impressionante é o cemitério de troncos petrificados; ou a Casa de Pedra, uma caverna utilizada há 10 mil anos por homens que deixaram restos de cestaria, alimentos, pontas de flecha e pinturas rupestres. 

 

Saindo de Ovalle e logo após passar a Represa Recoleta toma-se a Rota D-595 até chegar a Pichasca. Dispõe de serviços higiênicos, zona para piquenique e um centro de informação. Aqui é comum encontrar uma das aves mais bonitas do Chile, o loro tricahue, espécie que se destaca por sua colorida plumagem.


 Vale do Quilimarí

 

Com um verdor mais intenso e com pequenos povoados, Quilimarí é um vale estreito junto ao rio do mesmo nome. É conhecido como o vale de petroglifos, pois aí se encontra uma enorme quantidade desta arte em pedra dos antigos habitantes.

 

Nasce perto de Pichidangui e se conecta com o Vale do Choapa e de La Ligua. Berço da cultura diaguita, nos seus arredores se podem apreciar petroglifos e lugares cerimoniais que se remontam ao ano 300 a.C.

 

A viagem começa na localidade de Quilimarí, um pequeno povoado ao redor da bela e antiga igreja de Nossa Senhora do Carmen Colorado, construída em 1760.

 

Outros lugares para se conhecer são: Guangualí, um agradável povoado cujos habitantes se especializaram em produzir objetos de olaria em cores vivas; Los Cóndores com o seu museu de petroglifos, a mina de quartzo de Tilama e a represa Culimo, onde se encontram também petroglifos e a maior concentração de palma chilena. A 24 quilômetros ao norte de Tilama, e após cruzar impressionantes túneis e pontes da antiga ferrovia,  se encontra o povoado mais antigo do vale, Caimanes, fundado por Diego de Almagro, o espanhol conquistador do Chile em 1536.


O misterioso Vale do Choapa
 
É denominado a capital nacional da arqueoastronomia. Trata-se de um lugar intrigante, com sinais claros de que, alguma vez, algo estranho ocorreu. Para conhecê-lo tem que chegar a Illapel, um povoado onde também é recomendável provar delícias gastronômicas como os camarões de rio.


Além disso, Illapel oferece uma vida noturna bastante ativa, herança dos mineiros nômades que durante décadas percorreram a região. Nesta localidade  se podem conhecer antigos lugares utilizados para a moagem de minerais, e também visitar Farellón Sánchez, um povoado mineiro fantasma.

 

Bastante interessante também são os antigos lugares utilizados para a lavagem do ouro e o povoado de Cuz-Cuz, onde se destaca o Taller Taucán de cerâmica e etnomúsica; um bom lugar para conhecer a cultura diaguita. 

 

Misteriosas são as pedras marcadas ou pedras falantes, algumas das quais mostram evidentes sinais de um antigo fascínio por naves espaciais e seres de outros mundos. Algumas pequenas empresas oferecem tours aos lugares mais representativos.

 

Talvez o mais interessante seja a Trilha Arqueológica El Coligüe, que oferece alojamento em casas rurais, aluguel de burros e mulas, além de produtos locais.

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