Investigações chaves

Cientistas chilenos no auge da ciência mundial

Apesar de a comunidade científica no Chile ser pequena, investigadores de todas as áreas da ciência tiveram um papel importante nos projetos transcendentais para a história da humanidade.

jueves, 23 de septiembre de 2010  
Científicos chilenos en la cima de la ciencia mundial Científicos chilenos participaron de una colisión de protones artificial, que permitía recrear la situación similar a los instantes posteriores al Big Bang.

No dia 30 de marco passado, a conta de Twitter da Organização Europeia de Física Nuclear (CERN), na Suíça, anunciava eufórico o resultado do maior experimento da física: "Pela primeira vez na história!!! Recorde mundial!!!". Uma colisão de prótons provocada artificialmente por um grupo de cientistas de todo o mundo permitia recriar a situação similar aos instantes posteriores ao Big Bang, resolvendo assim muitas incógnitas do Universo.

"Este é o ponto onde começa uma nova era de descobrimentos", afirmou Rolf Heuer, diretor geral da entidade científica para a imprensa mundial, a respeito da máquina construída há mais de 16 anos e batizada como a "máquina de Deus". 

Cientistas chilenos foram partícipes deste importante desafio através de uma equipe composta por pesquisadores da Universidade Técnica Federico Santa María (UTFSM) e da Pontifícia Universidade Católica de Chile (PUC), que formam parte do experimento Atlas, nome dado a um dos quatro detectores com os quais esta grande máquina conta para a recoleção de dados; demonstrando a qualidade dos pesquisadores chilenos em experimentos cruciais para o mundo da ciência. 

Ivan Schmidt - acadêmico do Departamento de Física da UTFSM e participante desta iniciativa - destaca que a tarefa da equipe chilena consiste não somente no âmbito experimental, mas também no teórico. "Por exemplo, há pouco tempo propusemos uma inovadora forma de observar a chamada partícula Higgs, que de acordo com as teorias atuais se supõe que deveria existir, mas que ainda não foi descoberta. Esta partícula é muito importante, pois explicaria a origem da massa de todas as partículas", comenta.

Este experimento, que permitiria realizar outros de maior envergadura no curto prazo, é de extrema importância para a equipe composta por ambas as instituições acadêmicas. "É uma grande satisfação pessoal ter ajudado neste esforço", declara Schmidt. "Além do mais, a nossa ideia não é somente fazer ciência de primeiro nível mundial, senão que também aproveitar a tecnologia derivada destes experimentos", conclui.

Genoma do pêssego e qualidade do vinho 

A colisão de prótons não é a única iniciativa em que os cientistas nacionais estão contribuindo com suas pesquisas. Para evitar o fenômeno de "pardeamento" (textura farinhenta que se produz em frutas como o pêssego, maçãs, ameixas e cerejas devido às condições de traslado), um consórcio internacional de entidades científicas conseguiu decodificar os genes que compõem o genoma do pêssego.

Este experimento não somente permitiria evitar o processo mencionado anteriormente, bem como melhorar a qualidade das frutas e criar variedades próprias em todo o mundo. 

Lee Meisel, doutora e pesquisadora da universidade chilena Andrés Bello (UNAB), envolvida no projeto, sustenta que esta iniciativa "permitirá desenvolver manipulações genéticas para melhorar aspectos da fruta como a cor, o aroma e o sabor, além da textura, afetada pelo transporte nos frigoríficos".

A sequência do genoma do pêssego está disponível para a comunidade científica internacional e nacional desde  1° de abril no site web: http://www.peachgenome.org.

Desta forma, um grupo de investigadores chilenos da UTFSM pretende estudar uma das exportações mais importantes do Chile: o vinho. O projeto, pioneiro no mundo (somente a França trabalha em pesquisas similares), pretende conhecer, com a ajuda de uma avançada tecnologia, a qualidade dos mostos, identificando cepas, origens e anos de produção e, inclusive, detectando possíveis fraudes. 

Graças a esta nova tecnologia, se poderia deixar para trás um dos grandes problemas da indústria mundial do vinho, setor que recorre ao sistema organoléptico para determinar a qualidade dos seus produtos.

O jovem chileno que trabalha na NASA

As universidades chilenas não são as únicas que se destacam na ciência de primeiro nível mundial. Com somente 19 anos, o jovem estudante chileno da Universidade do Texas em Brownsville (UTB), Mauricio Flores, alcançou algo inimaginável: uma bolsa para trabalhar na NASA, no Observatório Arecibo de Puerto Rico, lugar onde se localiza o maior radiotelescópio do mundo.

Ainda que se tratasse de um benefício exclusivo para alunos norte-americanos, a excelência acadêmica de Flores Maurício foi suficiente para se fazer uma primeira exceção. O jovem se tornou assim o primeiro latino-americano em integrar o grupo ARCC (por suas siglas em inglês).

"Formar parte de ARCC supõe uma vantagem muito grande em termos de aprendizagem, já que me permite obter conhecimentos e experiências que muitos alunos não podem ter até a sua pós-graduação, se tiverem sorte", conta Mauricio, que atualmente estuda Física na UTB graças a uma bolsa esportiva de sua outra grande paixão: o xadrez, conseguida após obter o primeiro lugar do campeonato sul-americano realizado na Argentina nesse mesmo ano.

Artigos Relacionados

-  Na Europa, em Cambridge se reuniram 200 cientistas chilenos   
Chile é líder no uso de redes sociais na América Latina 
-  Lançam jogos de realidade aumentada para comemorar Bicentenário do Chile 
Chile comemorou o seu Bicentenário com um grande concerto em Pompeya
-  Poemas de autores chilenos "bombardearão" Berlim em agosto

img_banner