Cargo internacional

Ex-Presidente do Chile foi escolhida como diretora da ONU Mulheres

A nomeação de Michelle Bachelet na nova agência foi aplaudida por líderes mundiais.

viernes, 01 de octubre de 2010  
Ex-presidenta de Chile, Michelle Bachelet Ex-presidenta de Chile, Michelle Bachelet

A ex-Presidente do Chile Michelle Bachelet foi nomeada diretora da nova agência ONU- Mulheres, entidade que promoverá  a igualdade de gênero e o empoderamento de mulheres e meninas ao redor do mundo.

Bachelet será subsecretária geral da agência e dependerá diretamente do secretário geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon. Apesar da mudança para Nova York, já anunciou frequentes visitas ao Chile para ver sua família e se manter vinculada à realidade nacional.

ONU Mulheres estará em funcionamento a partir de janeiro de 2011 e contará com um orçamento de, pelo menos, US$ 500 milhões, o dobro da quantidade previamente designada para os quatro organismos agrupados nesta entidade.

Durante a nomeação, o secretário geral Ban Ki-moon disse: "Bachelet traz a esta posição crítica uma dinâmica história de liderança mundial, habilidades políticas e uma extraordinária capacidade para criar consenso”.

"Confio que sob a sua forte liderança, podemos melhorar as vidas de milhões de mulheres e meninas no mundo inteiro", acrescentou.

Ban afirmou que Bachelet foi escolhida entre 26 candidatas de todo o mundo. Entrevistou três finalistas antes de eleger Bachelet. O cargo que ocupará é o de subsecretária geral, um nível acima da funcionária que trata o tema das mulheres atualmente, a secretária geral assistente, Rachel Mayanja.

Ao tomar conhecimento da designação, a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, disse que Bachelet “tem quebrado as barreiras para as mulheres no Chile e em toda a região, e me sinto inspirada por sua paixão, sua experiência e sua coragem para falar sobre questões difíceis".

Bachelet, que ocupou o 15º lugar na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo da revista Times em 2008, deu grandes passos como Presidente entre 2006 e 2010.

A primeira mulher Presidente do Chile colocou em andamento um gabinete equilibrado em termos de gênero e designou mulheres para os ministérios de Defesa, Planejamento e Economia.

Em 2008, introduziu uma pensão básica para donas de casa de baixos recursos que nunca tinham recebido um salário fora do lar, bem como um bônus por filho para todas as mães.

Também apresentou "Chile Cresce Contigo", que proporciona apoio para pais e crianças  desde o nascimento até os quatro anos de idade, além de triplicar o número de vagas nas creches. Ajudando, desta forma, as mulheres que trabalham.

Em 2008, no relatório das Nações Unidas sobre o desenvolvimento humano, o Chile  ocupou o 40º lugar entre os 177 países de renda média.

"A designação de Bachelet es uma valiosa esperança para todo o movimento de mulheres da América Latina", disse Teresa Valdés, coordenadora do Observatório de Equidade de Gênero do Chile a International Press Service.

"Bachelet tem se distinguido como uma campeã para os que nem sempre tem uma voz", acrescentou o ex- senador norte-americano Timothy Wirth, presidente da Fundação das Nações Unidas. "Ela foi essencial na pressão por uma rede de proteção social mais forte para os mais pobres do Chile, e por leis sobre a violência contra a mulher.

"Em sua nova posição, Bachelet se encarregará de aumentar os direitos e necessidades das mulheres e meninas do mundo inteiro, incluindo os 330 milhões de mulheres que constituem os trabalhadores pobres do mundo".

Irina Bokova, diretora geral da Agência das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) afirmou: "A criação da ONU Mulher... já foi um importante avanço. E agora será ainda mais importante com a nomeação de uma pessoa com o talento e a experiência de Michelle Bachelet para dirigi-la".

Segundo os relatórios, a plataforma para alcançar a igualdade da mulher chamou os governos a pôr um fim à discriminação contra a mulher e eliminar as diferenças de gênero em 12 áreas críticas, incluindo saúde, educação, emprego, participação política e direitos humanos.

"Ao selecionar uma líder do calibre de Bachelet, o secretário geral Ban Ki-moon envia uma clara mensagem à comunidade mundial de que os direitos da mulher e a igualdade serão considerados no nível mais alto de deliberação sobre os direitos humanos", esclareceu Mary-Jane Wagle, vice-presidente dos programas internacionais da federação Planned Parenthood dos Estados Unidos.

"Planned Parenthood e nossos parceiros internacionais estão interessados em trabalhar com a Dra. Bachelet  e a ONU-Mulher para melhorar a saúde e os direitos das mulheres e meninas do mundo inteiro, começando pelos lugares onde estas estão mais marginalizadas ", complementou.

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