Descoberto desde Castellón

Astrônomo espanhol rebatiza asteróide em homenagem a seu colega chileno

A máxima autoridade do observatório Pla D'arguines decidiu homenagear o seu par sul-americano Mario Hamuy.

viernes, 29 de abril de 2011  

Muito longe da Terra, em um ponto entre Marte e Júpiter, os especialistas do observatório astronômico espanhol Pla D'arguines divisaram há quase uma década um asteróide ao qual denominaram 109097.

O objeto, cujo diâmetro aproximado é de cinco quilômetros e orbita a uma distância média de cerca de 350 milhões de quilômetros do Sol, foi descoberto no dia 19 de agosto de 2001 desde Castellón.

O asteróide é visível do hemisfério sul e atualmente se encontra na constelação de Gemini sendo, portanto, passível de ser observado com telescópios amadores, inclusive.

O que muitos observadores do cosmos ignoram é que o 109097 foi rebatizado por seus descobridores com o nome do diretor do Departamento de Astronomia (DAS) da Universidade do Chile, Mario Hamuy.

“A dedicatória veio devido à paixão que tenho pela observação e busca de supernovas, campo no qual o doutor Hamuy trabalha, e de quem tenho aprendido muitíssimo através de suas publicações”, explicou a máxima autoridade de Pla D'arguines, Rafael Ferrando.

De Santiago do Chile, o homenageado agradeceu o gesto e garantiu sentir-se “muito emocionado” pela honra conferida, que também foi inspirada logo que o seu colega europeu leu um livro de sua coautoria: Supernovas. O Explosivo Final de uma Estrela.

Entre risadas, Hamuy confessou que a sua maior preocupação “era que não fosse um asteróide assassino, mas ao ver que a órbita passa longe da Terra, fiquei muito mais tranquilo. Agora sinto a responsabilidade de me preocupar em conhecer o asteróide e aprender mais sobre este tipo de objetos tão interessantes que guardam mistérios a serem decifrados sobre a formação do Sistema Solar”.

Batismo estelar

Segundo informou o DAS, descobrir e nomear um novo asteróide é um processo longo e complexo. A primeira coisa que se deve fazer, uma vez descoberto, é voltar a observar uma segunda noite com um intervalo máximo de uma semana.

Se nesta segunda noite tudo der certo, as posições são enviadas ao Minor Planet Center de la International Astronomical Union (IAU) onde se lhe dá uma designação provisória, composta por números e letras que identificam o ano, o mês e o número de descobrimento.

Quem realiza a descoberta tem o privilégio de sugerir um nome. Então, um jurado de 11 membros da IAU aceita a proposta que deve cumprir com algumas características como ter menos de 16 caracteres, ser pronunciável em diversos idiomas e não ser similar a outros nomes presentes no Sistema Solar. Também não podem ser nomes ou eventos relacionados com atividades militares ou políticas e nem o uso de nomes de empresas comerciais.


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