Na Universidade de Talca

Chilenos criam revolucionário nanocomposto contra o câncer

Uma substância que identifica e marca as células cancerígenas e poderia tornar mais eficiente o diagnóstico precoce desta doença.

lunes, 09 de mayo de 2011  

O diretor do Centro de Bioinformática e Simulação Molecular da Universidade de Talca, Danilo González-Nilo apresentou um nanocomposto desenvolvido por cientistas chilenos que promete revolucionar o tratamento do câncer.

Esta inovadora descoberta que foi desenvolvida pelos pesquisadores está formada por três moléculas. A primeira é capaz de se unir seletivamente aos receptores da membrana das células cancerígenas, já a segunda emite luz e, portanto, as marca e a terceira funciona como transporte das duas anteriores. É biofuncional e no futuro poderia transportar fármacos para atacar as células doentes de maneira mais seletiva e potente.

“Com o nosso nanocomposto nós pretendemos poder detectar as células cancerígenas em um estágio inicial, dado que este sistema possui melhores propriedades de fluorescência que as tradicionais moléculas orgânicas.  Uma de suas aplicações mais potentes é no câncer de mama", afirmou aos correspondentes estrangeiros convidados pela Fundación Imagen de Chile.

"Atualmente, a mamografia é a principal ferramenta de diagnóstico que existe. O problema é que é incômoda para a paciente e, além disso, só se consegue detectar o tumor quando já se encontra em um estado avançado”, assinalou González-Nilo, que também desenvolveu a primeira base de dados das estruturas nanobiotecnológicas em conjunto com o Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos. Os resultados destas novas descobertas são frutos de um trabalho de pesquisa que começou há dois anos e que vão aparecer na versão impressa da prestigiada revista Analytical and Bioanalytical Chemistry deste mês.

“Atualmente, o Chile é o número um e tem a liderança no desenho racional de nanopartículas. Isto significa que podemos caracterizar a nível atômico as propriedades que estas partículas possuem. Agora nós estamos migrando esta metodologia para outras aplicações como é o caso da detecção precoce das células cancerígenas”, afirmou González-Nilo.

Soldados invisíveis

A primeira etapa do projeto liderado por González-Nilo consistiu em identificar um composto capaz de acoplar-se de maneira seletiva às células cancerígenas e marcá-las. Para alcançar este objetivo, lançaram mão da nanotecnologia e utilizaram uma molécula conhecida como Quantum Dots (QD), uma partícula de tamanho microscópico com propriedades óticas e eletrônicas, que pode ser utilizada como marcador fluorescente.

Depois, para chegar de maneira seletiva às células com câncer, acrescentaram uma molécula de ácido fólico. As células cancerígenas se dividem constantemente e requerem de grandes quantidades de ácido fólico para poderem replicar seu ADN, e é por isso que os receptores para esta molécula se encontram sobreexpressados.

Depois se identificou uma estrutura que pudesse lhes permitir unir e transportar as duas moléculas anteriores às células enfermas. Para isto utilizaram uma nanoestrutura que se adere facilmente à membrana plasmática das células, conhecida como dendrímero.  O dendrímero escolhido por estes pesquisadores foi o PAMAM, que lhes permitiu combinar a ação dos dois compostos anteriores, identificando de forma seletiva as células cancerígenas.

Finalmente puderam constatar que o nanocomposto se dirigia principalmente às células tumorais, observando as fluorescências nos cortes de tecido com células doentes.

O valor desta descoberta é que no futuro esta nanopartícula poderia ser utilizada para o diagnóstico precoce do câncer e também se poderiam utilizar como transportadores de fármacos específicos contra a própria doença, revolucionando o diagnóstico precoce e os tratamentos que existem atualmente para esta enfermidade.

Os avanços se inserem também no marco de um projeto que a universidade chilena mantém com o Instituto Fraunhofer Gesellschaft da Alemanha, e que instalaram em Talca equipamentos científicos por um valor ao redor de 1 milhão de dólares. Além disso, através do projeto Innova Chile CORFO de “Atração de Centros de Excelência Internacional para a Competitividade” foi possível obter fundos para iniciar esta linha de pesquisa por um montante que margeia os 1,5 milhão de dólares para os próximos 3 anos. “Sem nenhuma dúvida, a nossa aliança com o Fraunhofer tem nos aberto muitas novas possibilidades na indústria internacional, entre as quais se destacam as indústrias japonesa e europeia”, afirma o cientista.

O Centro de Bioinformática e Simulação Molecular (CBSM) da Universidade de Talca trabalha em colaboração com destacados centros internacionais de investigação como o Instituto Nacional do Câncer (NCI) e o  Beckman Institute dos USA, o Centro Nacional de Investigações Científicas (CNRS) da França, o Instituto de Saúde Carlos III (ISCIII) e a Universidade Politécnica de Madri (UPM), na Espanha e o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) do Brasil. Além do mais, Gonzalez-Nilo lidera a linha de pesquisa de NanoBiotecnologia da Fundação Fraunhofer Chile Research, que é parte do Programa de Atração de Centros de Excelência Internacional para a Competitividade da Innova-Chile CORFO, que foi adjudicado ao Instituto Fraunhofer Gesellschaft da Alemanha.

Nossos cientistas são de alto nível. O trabalho encabeçado por Danilo González é um exemplo claro de como nossos pesquisadores estão realizando descobertas em um tema de vanguarda como é o caso da nanobiotecnologia, trabalhando ombro a ombro com alguns dos centros de pesquisa mais destacados do planeta”, afirmou Jennyfer Salvo, diretora de comunicações da Fundación Imagen de Chile.

No Chile existem vários grupos que estão avançando rapidamente nesta área, tais como as pesquisas realizadas pela Universidade do Chile e pela Universidade de Santiago. “A nanomedicina, e em geral a nanobiotecnologia, são áreas com um tremendo potencial de inovação que o nosso país deveria desenvolver com urgência. Este campo oferece enormes vantagens para o desenvolvimento de áreas que ainda não foram exploradas como, por exemplo, a de remediação, agricultura, aquicultura, diagnóstico, entre outras”, sustentou.


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