Segundo o jornal espanhol El País

Chile, o "novo paraíso" da música pop independente

Artistas jovens, sons refrescantes, lançamentos de discos na Europa, nominações a prêmios e boas críticas são alguns ingredientes deste cenário.

jueves, 10 de febrero de 2011  

Em uma ampla reportagem publicada na sua edição impressa, o jornal espanhol El País qualificou o Chile como o “novo paraíso do pop” e, entre outros aspectos, destacou o lançamento na Europa dos discos de artistas nacionais como Javiera Mena, Gepe, Dënver e Ana Tijoux.

Esta publicação também destacou a recente nominação ao Grammy na categoria de Melhor Álbum Latino de Rock, Música Alternativa ou Urbana de Tijoux pelo seu disco 1977 –a primeira desde que La Ley participou em 2000- além da crítica favorável recebida pelos álbuns Mena, de Javiera Mena, e Audiovisión, de Gepe.

Para El País, aos 70 discos editados em 2010 tem se somado uma “avalanche de nomes”, entre eles Fakuta, Perrosky, Nano Stern, Astro ou Dënver, a dupla de vinte anos oriunda da cidade de San Felipe cujo videoclip do tema Los adolescentes já conta com mais de 80 mil visitas no Youtube.

“No começo de 2000 surgiram artistas mais jovens que não tinham crescido na época da ditadura e não tinham todo esse rolo militante tão comum na geração anterior. Isto se manifestava tanto no seu acesso à música (que já não compravam discos, baixavam da internet) quanto em suas influências iconoclastas (do pop mais mainstream até Violeta Parra)”, explicou o diretor do site especializado Super45, Cristián Ayala.

Segundo acrescentou o principal responsável pelo selo independente Cazador no Chile, Diego Sepúlveda, “todos escutávamos pop, mas até certo ponto a gente se envergonhava de dizê-lo. Assistíamos ao Festival de Viña del Mar com as nossas famílias e todos os seus artistas eram pop. De Camilo Sesto a Backstreet Boys. A música pop sempre esteve presente, mas deixou de ser uma vergonha e se transformou em uma identidade da geração”.

A visão do solista Daniel Riveros, mais conhecido como Gepe, um dos estandartes deste cenário é que o país “tem mudado tanto que 10 anos parecem como se fossem 30. É que tudo tem crescido de maneira exponencial, tanto as propostas musicais quanto o público e os lugares”.

“Eu tenho a impressão de que a música chilena, em termos gerais, está em um estado de incubação e ainda falta mais um pouco para nascer de maneira oficial, porém, o que se vê é muito auspicioso. Me parece que o Chile, e ser chileno, é uma vantagem para fazer música nestes tempos", comentou.

Finalmente, El País recomendou atender a “avalanche de referências” que mostra “o vital do palco chileno neste último ano”, que complementam Odisea, Chinoy, Dadalú, Adrianigual, Nueva costa, Midiset, El sueño de la casa propia, La reina Morsa e Protistas.

Além dos já citados Ana Tijoux, Dënver e Astro, o Chile terá uma representação massiva no próximo festival Lollapalooza que será realizado em Santiago, com Francisca Valenzuela, Fother muckers, Como asesinar a Felipes e The ganjas, entre outros, ao qual se acrescenta a presença de Los búnkers em Coachella.