Ganhou prêmios Cervantes e Reina Sofía

Aos 93 anos, faleceu em Santiago o poeta chileno Gonzalo Rojas

Literato surrealista, diplomático e acadêmico, é considerado um dos autores contemporâneos mais influentes em idioma espanhol.

viernes, 13 de mayo de 2011  
En 2007, los presidentes que asistieron a la XVII Cumbre Iberoamericana en Santiago recibieron el libro Del agua de Gonzalo Rojas. (Imagen gentileza Memoria Chilena)

Há dois meses afetado por um acidente vascular cerebral, morreu nesta segunda feira aos 93 anos o poeta surrealista chileno Gonzalo Rojas, ganhador dos prêmios Cervantes de Literatura e Reina Sofía de Poesia Ibero-americana.

Considerado um dos autores contemporâneos mais influentes do idioma espanhol, o autor de “Oscuro” e “Qué se ama cuando se ama” teria sofrido um infarto cerebral no dia 22 de fevereiro, razão pela qual foi transladado até um centro assistencial em Santiago desde a sulista cidade de Chillán, onde residiu desde seu retorno ao país após o exílio.

Rojas nasceu dia 17 de dezembro de 1917 na zona carvoeira de Lebu, 600 quilômetros ao sul da capital. Desde os 20 anos realizou estudos de Direito e Literatura na Universidade de Chile, período no qual se relacionou com outro grande nome das letras, Vicente Huidobro.

Em 1948 publicou o seu primeiro livro, “La miseria del hombre”, exaltado pela crítica e catalogado como “muito original e realmente inédito” pela Nobel de Literatura Gabriela Mistral, com quem  tinha um parentesco do seu lado paterno.

Foi acadêmico na Universidade de Concepción e diplomático em Cuba e na China do governo do Presidente Salvador Allende, antecedente que lhe obrigou a partir exilado após a quebra institucional de 1973. “São os piores dias, os mais amargos, aqueles/ sobre os quais não queremos voltar”, escreveu em um de seus poemas.

Viveu na República Democrática Alemã e na Venezuela, onde publicou em 1977 seu livro “Oscuro”. Segundo opinou sobre a sua estadia nesse último país, "tive a honra de ser cidadão da pátria de Bolívar, Andrés Bello e Simón Rodríguez, os verdadeiros pais da América”.

Depois de trabalhar no Centro Rómulo Gallegos e na Universidade Simón Bolívar, e ditar conferências nos Estados Unidos, conseguiu retornar ao Chile em 1979. No entanto, os convites constantes mantiveram-no em viagens entre Norte-América e Europa.

Em 1992, lhe outorgaram o Prêmio Nacional de Literatura no Chile. Pouco depois, em Chillán, Concepción e Valparaíso foi nomeado cidadão ilustre. Posteriormente, a Argentina o condecorou com o Prêmio José Hernández e o México, o Prêmio Octavio Paz de Poesia e Ensaio.

Apesar de sua avançada idade, Gonzalo Rojas sempre manteve uma intensa vida acadêmica, destacada com um sem-fim de viagens e homenagens, segundo sua resenha biográfica no site da Internet da fundação que leva o seu nome.


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