Instalado no deserto do Atacama

O maior telescópio do planeta começa a dar frutos desde o Chile

Nebulosa e cúmulo globular foram os objetivos do equipamento de rastreio que se encontra no observatório do cerro Paranal.

lunes, 27 de junio de 2011  

O Telescópio de Rastreio (VST) do complexo científico VLT, o maior do mundo desenhado exclusivamente para pesquisar o céu com luz visível e que se encontra no Chile, foi o primeiro a registrar e entregar fotografias correspondentes à nebulosa Omega e ao cúmulo globular Omega Centauri.

Este é o complemento perfeito para o telescópio de rastreio VISTA para luz infravermelha. Trata-se de um equipamento de vanguarda de 2,6 metros, abastecido com uma poderosa câmara OmegaCAM de 268 megapixeles e quase 770 quilos, desenhada para observar o céu a partir do deserto do Atacama na Região de Antofagasta, com uma grande velocidade e excelente qualidade de imagem.

A primeira imagem mostra a zona de formação estelar Messier 17, observada de forma nunca vista antes. Esta vasta região de gás, poeira e estrelas jovens quentes está no coração da Via Láctea, na constelação de Sagitário. O campo de visão do VST é tão amplo que pôde ser fotografada na sua totalidade, incluindo suas partes exteriores mais tênues, e conservando sua magnífica nitidez em toda a imagem.

A segunda imagem capta o melhor retrato do cúmulo globular Omega Centauri obtido até o momento. Apesar de ser o maior do seu gênero, o amplo campo de visão do VST e a sua câmara permitem abranger também as suas tênues regiões exteriores, incluindo um total de 300 mil estrelas, com excelente resolução.

Instalado no norte do Chile, o programa VST é uma colaboração entre o Observatório Europeu Austral (ESO), que se encarregou da cúpula e das obras civis, e o Observatório Astronômico di Capodimonte da Itália, que teve como responsabilidade o desenho e a construção do telescópio.

O VST realizará três rastreamentos públicos nos próximos cinco anos. O denominado KIDS registrará várias regiões do céu que se encontram distantes da Via Láctea. Contribuirá ao estudo da matéria escura, da energia escura e da evolução das galáxias, e com isso também permitirá encontrar novos cúmulos de galáxias e quasares distantes.

Já o rastreamento ATLAS cobrirá uma área maior do céu e se concentrará na compreensão da energia escura e em apoiar estudos mais detalhados a cargo do VLT e de outros telescópios. O terceiro rastreamento, VPHAS+, registrará o plano central da Via Láctea para criar um mapa da estrutura do disco galáctico e a sua história de formação estelar. VPHAS+ produzirá um catálogo de ao redor de 500 milhões de objetos e descobrirá muitos novos exemplos de estrelas incomuns em todas as suas etapas de evolução.

O volume de dados produzido anualmente por OmegaCAM será enorme, de aproximadamente 30 terabytes, que serão introduzidos nas bases de dados na Europa para realizar o seu processamento. Em Nápoles e Groningen foi desenvolvido um inovador e sofisticado sistema de software, que permitirá processar o enorme fluxo de dados.

Os produtos finais resultantes de todo esse processamento serão recopilados em enormes listas de objetos encontrados, bem como de imagens, que estarão disponíveis para que qualquer astrônomo do mundo possa realizar uma análise científica.

Imagens gentileza ESO

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