No norte do Chile

ALMA está quase pronto para as suas primeiras observações científicas

Localizado perto de San Pedro de Atacama, é um dos maiores observatórios do mundo e já tem mais de mil solicitações de astrônomos para usá-lo.

lunes, 15 de agosto de 2011  

Apesar de 16 soar como outro número qualquer, essa é a quantidade de antenas necessárias para que o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) comece as suas primeiras observações científicas sendo, portanto, um marco importante para um dos maiores observatórios astronômicos do mundo, localizado no norte do Chile.

Depois de seis meses de provas, a antena fabricada pelo consórcio europeu AEM, sob o contrato do Observatório Europeu Austral (ESO), foi entregue ao observatório no último mês de abril no centro de operações (OSF), a uma altitude de 2.900 metros, em pleno deserto do Atacama, mais especificamente na Região de Antofagasta.

Ali, a antena foi equipada com detectores de alta sensibilidade, refrigerada com hélio líquido e dotada com diversos equipamentos eletrônicos. Então, um dos grandes veículos transportadores do ALMA pegou a antena e a levou durante 28 quilômetros ao longo do caminho até o llano de Chajnantor, última escala de uma extensa viagem que começou quando os componentes desta antena foram fabricados em diferentes países da Europa.

Está previsto que as primeiras observações científicas do ALMA através dos céus do Chile comecem neste ano de 2011. Apesar de ainda estar em construção, o conjunto de 16 antenas que estará disponível já ultrapassa todos os outros telescópios do seu tipo.

Astrônomos do mundo inteiro já apresentaram quase mil propostas para as observações. Este nível de demanda é aproximadamente nove vezes o número de observações que se espera levar a cabo durante a primeira fase da ciência inicial, o que demonstra o entusiasmo dos pesquisadores.

A viagem final do OSF até Chajnantor é um trajeto relativamente curto, mas para o ALMA faz uma grande diferença. A localização elevada do planalto -2.100 metros mais alto - lhe dá condições extremamente secas, que são vitais para a observação em longitudes de onda milimétricas e submilimétricas, já que estes débeis sinais do espaço são facilmente absorvidos pela atmosfera da Terra.

Enquanto Chajnantor é perfeito para o ALMA, a grande altura e a falta de oxigênio o tornam menos agradável para os visitantes humanos do lugar. Apesar de haver um edifício técnico -um dos mais altos do mundo- as pessoas que trabalham no ALMA realizam a maior quantidade de tarefas possíveis a partir da menor altura do OSF, onde se opera o telescópio de forma remota.

Uma viagem às origens

Nascido de múltiplos esforços formalizados em 2003, o ALMA será um telescópio único de desenho revolucionário, composto inicialmente por 66 antenas de alta precisão, operando a longitudes de onda de 0,3 a 9,6 mm. Seu conjunto principal terá 50 antenas de 12 metros de diâmetro, atuando em conjunto como se fosse somente um telescópio: um interferômetro.

Tudo isso será complementado por um compacto conjunto adicional de quatro antenas de 12 metros de diâmetro e 12 antenas de sete metros de diâmetro, todas estas podem ser distribuídas em diferentes configurações, onde a distância entre elas pode variar de entre 150 metros até 16 quilômetros, o que permitirá ao ALMA contar com um poderoso “zoom” variável.

O ALMA, que desde a sua origem está integrado pelos projetos Millimeter Array (Conjunto Milimétrico) dos Estados Unidos, Large Southern Array (Grande Conjunto do Sul) da Europa e Large Millimeter Array (Grande Conjunto Milimétrico) do Japão, será capaz de pesquisar o Universo a longitudes de onda milimétricas e submilimétricas com uma sensibilidade e resolução sem precedentes, e com uma visão de até 10 vezes mais aguda que a do telescópio espacial Hubble, o que permitirá complementar as imagens obtidas pelo Interferômetro VLT.

O ALMA é o telescópio mais poderoso que existe para observar o Universo frio: o gás molecular e a poeira, bem como também os vestígios da radiação do Big Bang. Estudará os componentes básicos das estrelas, os sistemas planetários, galáxias e a própria vida. Fornecerá aos cientistas imagens detalhadas de estrelas e planetas nascendo em nuvens de gás perto do Sistema Solar e detectará galáxias longínquas que estão se formando nos confins do Universo observável.

Com um custo estimado de US$ 1,3 bilhão, o ALMA é uma colaboração entre a Europa, a América do Norte e a Ásia do Leste em cooperação com o Chile. A construção e a operação do ALMA se efetuam em nome da Europa pelo ESO, em nome da América do Norte pelo Observatório Nacional de Radioastronomia (NRAO), e em nome da Ásia do Leste pelo Observatório Astronômico Nacional do Japão (NAOJ).

Imagens: gentileza ESO.

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