Falece Sergio Larraín, o mais significativo fotógrafo chileno

Este enigmático fotógrafo, que publicou no New York Times e formou parte da agência Magnum, morreu dia 8 de fevereiro por problemas cardíacos.

viernes, 17 de febrero de 2012  

As fotografias do chileno Sergio Larraín foram publicadas em meios tão importantes como The New York Times, Paris Match e na revista Life. Trabalhou em Magnum, a agência fotográfica mais prestigiada no mundo, e inclusive uma de suas fotografias inspirou o conto “Las babas del diablo” de Julio Córtazar. Mas, apesar do sucesso, decidiu viver uma vida simples na cidade de Ovalle, na região de Coquimbo, onde faleceu aos 81 anos de idade, no dia 8 de fevereiro.
 
Larraín, considerado o mais importante fotógrafo chileno, nasceu em uma abastada família de Santiago. Seu pai foi o arquiteto Sergio Larraín García-Moreno, que fundou o Museu Chileno de Arte Pré-colombiana.
 
Estudou engenharia florestal na Universidade de Berkeley, mas como não gostou, mudou para a carreira de fotografia na Universidade de Michigan. Regressou ao Chile em 1951 e realizou a sua primeira exposição fotográfica em Santiago em 1953.
 
Um tema bastante recorrente na sua obra foram as injustiças sociais. Na realidade, um dos seus trabalhos mais importantes foi sobre as crianças marginalizadas que viviam debaixo das pontes do rio Mapocho, imagens que incluiu no seu livro El rectángulo en la mano (O retângulo na mão). Segundo definem os especialistas, seu estilo se caracterizou pelo enquadramento de maneira pouco convencional, com planos contrapicados a nível do solo.
 
Entre os anos 1958 e 1959 Larraín se dedicou a fotografar Londres, graças a uma bolsa de estudos do Council British para estudar lá. Este trabalho, que se converteu em um livro em 1998, lhe valeu o reconhecimento de Henri Cartier-Bresson, considerado um dos pais do fotojornalismo e dono da famosa agência Magnum.
 
Impressionado pela qualidade da obra, Cartier-Bresson o convidou para trabalhar com ele, para o qual Larraín teve que superar a quase impossível prova de fotografar Giuseppe Russo, chefe da máfia siciliana.
 
A partir desse momento, a carreira do fotógrafo chileno começou a ganhar fama internacional. Por exemplo, o Museu de Arte Moderna de Nova York (MOMA) comprou suas fotos para a sua própria coleção latino-americana.
 
Também colaborou com Pablo Neruda no livro Una casa en la arena (Uma casa na areia). No entanto, o seu livro Valparaíso é o mais lembrado, e inclusive é considerado como um dos melhores retratos do porto que também ajudou a criar o imaginário visual da cidade.
 
Apesar do seu sucesso profissional, no final dos anos sessenta Sergio Larraín se trasladou a Ovalle, uma pequena cidade no interior da Região de Coquimbo, onde foi abandonando pouco a pouco a fotografia ao ponto de nem falar mais dela. Nesse lugar e vivendo com o mínimo, faleceu na manhã do dia 8 de fevereiro por problemas cardíacos.
 
Sua morte não somente causou grande comoção a nível nacional, como também em vários meios internacionais, incluindo dois dos mais importantes de fala hispânica: El Clarín e El País, que lhe dedicaram extensas reportagens. Além disso, a agência Magnum prestou-lhe uma homenagem em sua página web e publicaram no seu twitter “Magnum Photos está muito triste de anunciar que faleceu Sergio Larraín”.
 
Também o seu amigo e colega chileno Luis Parot, outro reconhecido artista, declarou aos meios nacionais que "Sergio foi o fotógrafo mais significativo que já tivemos na história da fotografia chilena".

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