Vinícolas chilenas recuperam cepas ancestrais de origem europeia

As adegas do vale do Maule têm servido como laboratório para o relançamento de variedades desvalorizadas, como a Carignan e a País.

martes, 17 de abril de 2012  
Viñas chilenas recuperan ancestrales cepas de origen europeo

Graças aos esforços por tirá-las do seu ancestral anonimato, algumas cepas de origem europeia como a Carignan e a País, recobram valor no dinâmico setor vitivinícola do Chile, que dirige o melhor da sua produção a mercados como Estados Unidos ou Reino Unido.

Segundo um texto da agência EFE citado por diversos meios de comunicação, a intervenção de vários atores da indústria tem permitido potencializar “variedades que tradicionalmente serviam somente para produzir vinhos de baixa qualidade” na zona central do país, a 300 quilômetros ao sul de Santiago.

O diretor do Centro Tecnológico da Vide e do Vinho da Universidade de Talca, Yerko Moreno afirma que “se trata de resgatar as raízes. É uma nova visão de como fazer um vinho diferente com uma uva que havia sido considerada bastarda”.

Utilizada como matéria-prima para vinhos de pouca cor e de escassa qualidade, um grupo de produtores do vale do Maule “reativaram o cultivo da cepa Carignan a pequena escala”, graças a isso nasceram “vinhos similares aos que são produzidos na região catalã de El Priorat”.

Moreno explicou que esta variedade muda suas propriedades de forma radical ao envelhecer, momento no qual a uva se transforma e aumenta a sua qualidade conseguindo uma intensidade e aromas muito complexos que permitem elaborar vinhos de melhor qualidade.

Outro caso resgatado pela agência espanhola é o da uva país ou negra comum, uma “modesta cepa” introduzida pelos conquistadores espanhóis para o vinho de missa, com a qual atualmente se produz a bebida para consumo massivo.

No entanto, em 2008, o seu status mudou desde que a vinícola Miguel Torres iniciou um projeto para elaborar o Santa Digna Estelado, considerado pela agrupação Wines of Chile como o melhor espumoso de 2011 produto de sua elaboração, que segue o mesmo padrão do champanhe francesa.

“O chileno é percebido como um vinho de boa qualidade e é mais ou menos acessível. Há que demonstrar que se você paga um pouco mais, pode conseguir um produto melhor. A ideia é poder competir um pouco mais com a Espanha, com a França e com a Itália”, comentou Yerko Muñoz à EFE.

Ao longo de 2012, as exportações do vinho chileno engarrafado caíram levemente em volume, o que foi compensado pelo incremento no seu valor e tiveram como destinos principais os Estados Unidos, o Reino Unido, a Holanda, o Brasil, o Canadá, o Japão, a China, a Irlanda e a Dinamarca.

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