Entregam o prêmio Cervantes ao chileno Nicanor Parra

Afastado da cerimônia por sua avançada idade, o criador da antipoesia encarregou a um dos seus netos de receber o prêmio.

martes, 01 de mayo de 2012  
Entregan en ausencia el premio Cervantes al chileno Nicanor Parra Cristóbal Ugarte (a la izquierda) recibe de manos del príncipe de Asturias el reconocimiento a su abuelo. (Foto gentileza página oficial de la Casa de Su Majestad el Rey)

"Os prêmios son/ Como las Dulcineas del Toboso/ Mientras + pensamos en ellas/ + lejanas/ + sordas/ + enigmáticas” (Os prêmios são/Como as Dulcineias do Toboso/Quanto + pensamos nelas/ + afastadas/+ surdas/+ enigmáticas). Com mensagens como esta, o chileno Nicanor Parra agradeceu o Prêmio Miguel de Cervantes, cuja cerimônia de entrega foi realizada no dia 23 de abril, na Espanha.

Devido aos seus 97 anos, o criador da antipoesia decidiu não viajar a Madri e, por isso, pediu ao seu neto Cristóbal Ugarte que o representasse no Paraninfo da Universidade de Alcalá frente aos príncipes de Astúrias, Felipe e Letizia, e ao presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, entre outras personalidades.

No seu estilo, o artista pediu uma prorrogação de um ano para “criar um discurso medianamente plausível”, pois “cheguei à seguinte conclusão: há que falar por escrito. Eu demoro seis meses em armar um discurso que se pode ler em 45 minutos, e que parece que foi improvisado”.

Com respeito ao prêmio concedido pelo Ministério de Educação, Cultura e Esporte da Espanha e dotado com 125 mil euros, Parra escreveu: "Los premios son para los espíritus libres/ Y para los amigos del jurado/ Chanfle/ No contaban con mi astucia”. (Os prêmios são para os espíritos livres/ E para os amigos do júri/ Chanfle/ Não contavam com a minha astúcia”).

Cristóbal Ugarte revelou que: “deixei o meu avô na sua casa de Las Cruces, na costa chilena, rodeado de livros. A maioria deles são versões e estudos do Quixote, mas há também alguns livros da biblioteca de Dom Quixote, como, por exemplo, os seis tomos de A araucana, de Alonso de Ercilla. E há várias enciclopédias abertas sobre as mesas e sobre as poltronas, com as páginas mais importantes sinalizadas com saquinhos de chá reciclados”.

Segundo expôs o ministro espanhol de Educação, Cultura e Esporte, José Ignacio Wert, que para Parra "a verdadeira seriedade é cômica" e que “a antipoesia é uma poesia irreverente que questiona o status quo com aspereza e, às vezes, com ironia, mas que não o faz por capricho".

Por seu lado, o príncipe Felipe de Asturias assegurou que Miguel de Cervantes veria no chileno "um espírito afim, um poeta desnudo de adornos, com vestimenta de morador de Chillán” e comemoraria o reconhecimento dando-lhe as boas-vindas como "colega" e como "raro inventor".

Entregue “aos escritores que contribuem com obras de notável qualidade para enriquecer o legado literário hispânico”, o Cervantes foi outorgado pela primeira vez em 1976 a Jorge Guillén, e desde então já foram 35 os premiados, entre eles Jorge Luis Borges, Octavio Paz, Adolfo Bioy Casares e Mario Vargas Llosa.

O poeta, contista e ensaísta nascido em San Fabián de Alico em 1914, além de licenciado em Ciências Exatas e Físicas da Universidade de Chile, é o terceiro escritor chileno que recebe o denominado “Nobel das letras hispanas”, depois de Jorge Edwards (1999) e de Gonzalo Rojas (2003).

Imagem exterior: cortesia Dibam

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