O Chile alcançará a sua máxima presença olímpica feminina em Londres 2012

Incluindo a campeã mundial de tiro com arco, o contingente de chilenas nos Jogos Olímpicos será o maior em 76 anos.

jueves, 05 de julio de 2012  
Chile alcanzará su máxima presencia olímpica femenina en Londres 2012

Por María Elena Guzmán M.

Los Ángeles 1984 foi o cenário da primeira maratona feminina na história dos Jogos Olímpicos. Foi um grupo de antologia, liderado pela então máxima expoente da corrida a distância, a norte-americana Joan Benoit; pelas norueguesas Grete Waitz e Ingrid Kristiansen e pela portuguesa Rosa Mota. Foi um triunfo inesquecível para a miúda Benoit, mas na retina do mundo ficou a imagem da suíça Gabriela Andersen-Scheiss cruzando cambaleante a chegada do Memorial Coliseum. Uma mulher chilena também esteve presente nessa histórica corrida, que por fim dava passagem para as damas nas, até então, temidas lides da resistência asfáltica: a fundista Mónica Regonesi.

Junto a outra das grandes do esporte crioulo, a meio-fundista Alejandra Ramos, foram nessa época as únicas duas mulheres na equipe de 61 esportistas que integraram a seleção chilena para o encontro de ’84: isto é, nessa ocasião somente 3,3% da equipe olímpica chilena esteve integrada por mulheres. Não era de estranhar, pois a presença das damas chilenas nos encontros dos cinco anéis tem sido historicamente baixa: do total de 547 participações nacionais nas 21 edições olímpicas, apenas 44 foram de mulheres, o que equivale a dizer que somente 8% do total da ação olímpica crioula corresponderam às damas.

É por isso que a presença chilena feminina nos Jogos da XXX Olimpíada Londres 2012 é um verdadeiro ponto de inflexão: até o momento, já existem 14 esportistas classificadas, entre elas a atual campeã do mundo de tiro com arco, Denisse van Lamoen. No total, o Chile tem 35 esportistas classificados a Londres (mais um reserva da equipe equestre), por isso que as 14 mulheres que irão ao evento olímpico do próximo agosto conformarão nada menos que 40% do total da equipe.

As cifras históricas confirmam a validade dos fatos: se se considera que no total, contando Londres 2012, o Chile registrará 15 edições olímpicas com presença feminina -com 38 damas classificadas em toda a história e no total com 58 participações de mulheres, pois várias já competiram em mais de uma edição olímpica-, o certo é que as 14 participações de Londres 2012 vão equivaler a nada menos que 24% de toda a ação das damas chilenas em 76 anos de história olímpica, desde Berlim ’36 até a data. Na capital alemã, a velocista Raquel Martínez foi quem abriu os fogos para a mulher chilena, o mesmo encontro imperecível em que o mundo ovacionou o mítico Jesse Owens.

As cifras em detalhe falam por si mesmas: a Berlim ’36 foi uma chilena; a Londres ’48, quatro; a Helsinki ’52, três; a Melbourne ’56, uma; a Roma ’60, uma; a México ’68, duas; a Munique ’72, duas; a Los Angeles ’84, duas; a Seul ’88, uma; a Barcelona ’92, três; a Atlanta ’96, cinco; a Sidney 2000, sete; a Atenas 2004, seis; a Pequim 2008, seis; e agora a Londres 2012, nada menos que 14 mulheres.

A presença feminina chilena nos jogos tem sido majoritariamente no atletismo, pois das 58 participações olímpicas, 24 correspondem ao “esporte rei’’; 10 ao tênis de mesa; três à natação; três ao remo; três ao tênis; duas à esgrima; duas à halterofilismo; duas ao tiro com arco; duas ao triatlo; uma à equitação; uma à vela; uma ao tiro ao voo; uma ao mountain bike; uma ao ciclismo de pista; uma á ginástica; e uma ao taekwondo.

Em Londres 2012, pela primeira vez o Chile terá presença olímpica feminina no ciclismo de pista, em ginástica, em taekwondo e no tiro ao voo. E, além disso, irá em atletismo, esgrima, natação, halterofilismo, tênis de mesa, tiro com arco e triatlo: ou seja, em 11 disciplinas. Trata-se de uma cifra que marca um fato histórico, pois a máxima cifra anterior era de Pequim 2008, com presença feminina somente em seis disciplinas.

A nível individual, as marcas inéditas continuam em aumento: a maratonista dos 42 quilômetros, Érika Olivera (’96, 2000, 2004 e 2012), e a tenista de mesa Berta Rodríguez (’96, 2000, 2004 e 2012) irão a Londres nos seus quartos Jogos Olímpicos; a nadadora Kristel Köbrich irá no seu terceiro Jogos (2004, 2008 e 2012); a triatleta Bárbara Riveros (2008 e 2012), a arqueira Denisse van Lamoen (2000 e 2012), a arremessadora de peso Natalia Duco (2008 e 2012) e a esgrimista Cáterin Bravo (2000 e 2012) irão nos seus segundos Jogos olímpicos.

Na maratona, pela primeira vez o Chile terá duas representantes, com Olivera e com a debutante olímpica Natalia Romero, já no ciclismo de estrada está Paola Muñoz , Francisca Crovetto no tiro ao voo, Simona Castro na ginástica, e Yeny Contreras no taekwondo permitirão que a mulher chilena ingresse na arena olímpica nessas disciplinas pela primeira vez. Em Londres, a lista feminina se completará com a lançadora de disco Karen Gallardo, primeira representante chilena feminina nessa prova atlética, e María Fernanda Valdés, no halterofilismo.

Imagem cortesia ADO Chile / Mauricio Palma