Pavilhão do Chile na Bienal de Veneza cativa o público e a imprensa

Com 11 toneladas de sal, o espaço monopoliza a atenção no encontro arquitetônico mais importante do planeta.

martes, 04 de septiembre de 2012  

A 13° Bienal de Arquitetura de Veneza ainda não havia sido inaugurada oficialmente e o pavilhão nacional “Cancha: paisajes del suelo de Chile” (Campo: paisagens do solo do Chile) já captava a atenção dos primeiros visitantes, na sua maioria um público especializado e a imprensa de todas as partes do mundo.

A proposta chilena conta com um fator surpresa: 11 toneladas de sal extraídas do salar de Tarapacá, as quais estão depositadas no chão, para que o espectador caminhe sobre ela e viva uma experiência diferente da de outros pavilhões.

O resultado se traduziu em uma alta rotatividade de pessoas através do espaço localizado em O Arsenal de Veneza, com comentários como “sensível”, “intuitivo”, “especial” por parte dos turistas estrangeiros.

Enquanto isso, a imprensa italiana tem dado indicações de que este é um dos “mais esperados” (Corriere del Veneto) e  “uma montagem sutil e consistente” (Corriere della Sera).

O ministro chileno da Cultura, Luciano Cruz-Coke, recordou que “a Bienal de Veneza é a instância arquitetônica mais importante do mundo. E por isso mesmo é tão gratificante para o Chile participar com um pavilhão que mostra não somente o trabalho de nossos arquitetos, reconhecidos internacionalmente, senão que também a reflexão que existe sobre o papel que a arquitetura possui no desenvolvimento do país”.

Os chilenos se preocupam com o que ocorre com as suas cidades. Essa inquietação cidadã está presente nas diferentes propostas do nosso pavilhão, o que se transforma em uma grande oportunidade para gerar um diálogo e alcançar respostas que contribuam positivamente ao desenho do Chile”, acrescentou.

Cancha


Este pavilhão apresenta sete novos textos e ensaios visuais do território chileno, realizado pelos arquitetos  Alejandro Aravena (Elemental), Germán del Sol, Pedro Alonso, Juan Pablo Corvalán (Susuka), Iván Ivelic, Genaro Cuadros e Rodrigo Tisi.

Estas propostas são mostradas em sete abajures, uma para cada autor, as quais são acompanhadas de sete documentários de Cristobal Palma, tudo sobre as 11 toneladas do sal chileno. Também conta com uma escultura de neon de Iván Navarro e Pedro Pulido reproduzindo o logotipo de Cancha.

"Cancha" (nf ‘kantʃa) é uma palavra pré-hispânica quéchua que indica um vazio que permite conexões com a nossa terra, bem como entre as pessoas. A palavra é utilizada na América do Sul para designar um campo com limites e regras, onde as pessoas jogam.

No Chile, este vocábulo também se utiliza para designar um espaço aberto onde a colheita é medida e distribuída. Em termos urbanos, é similar à plaza mayor espanhola, é a referência para compreender o solo chileno, um terreno comum que não é urbano, senão territorial.

O pavilhão é apresentado como uma instalação meio ambiental com o objetivo de envolver os visitantes em uma experiência direta com o solo chileno.