O Chile profundo se manifesta através do turismo comunitário

Entre o Atacama e a Patagônia se repartem dezenas de experiências únicas e de grande valor cultural.

jueves, 08 de noviembre de 2012  
Descubriendo los encantos de Chile a través del turismo comunitario

Comunidades rurais e de povos nativos estão desenvolvendo em todo o Chile projetos turísticos associativos ao redor do modo de vida dos seus ancestrais, configurando uma oferta de qualidade mundial a respeito do seu valor cultural.

Empenhados em preservar as suas tradições, estes empreendedores começam a encontrar um público fortemente interessado em se conectar com o autóctone de cada lugar que visita e a contribuir para o seu desenvolvimento. É o turismo comunitário, através do qual é possível descobrir no país uma riqueza cultural da que ainda se sabe muito pouco.

No norte do Chile, o visitante pode adentrar-se em estilos de vida tradicionais de diversas comunidades aimaras, lickan antay, diaguitas e coyas. Existem iniciativas recentes, como a Ruta de las Misiones (Rota das Missões), conformada por sítios arqueológicos e igrejas coloniais de antigos povos na Região de Arica e Parinacota, e outras mais consolidadas, como a Ecored Lickan Antay, nos arredores de San Pedro de Atacama.

A última delas oferece experiências únicas, como percorrer o deserto mais árido do mundo junto a uma caravana de lhamas da mesma forma que os seus ancestrais pré-colombianos faziam, ou aprender sob as estrelas a respeito do sistema astronômico que lhes permitia orientarem-se e cultivarem a terra segundo os ciclos solares e lunares.

Em direção ao sul, um grande número de empreendimentos turísticos impulsionados por comunidades mapuches, lafquenches, huilliches e pehuenches se somam às comunidades de tropeiros, camponeses, huasos e pescadores da zona central que buscam no turismo uma ferramenta para o desenvolvimento local sustentável.

Através desta proposta é possível compartilhar as atividades cotidianas dos colonos da cordilheira de Nahuelbuta, praticar trekking, cavalgar e desfrutar da comida campestre preparada com antigas receitas e frutos silvestres, como os digüeñes (um tipo de cogumelo comestível). Ou então, conhecer a flora e a fauna nativa do histórico vale de Elicura e a sua relação com a cosmovisão mapuche, nos circuitos que brinda a comunidade aglutinada em Mapuche Trekan, nas proximidades do lago Lanalhue.

O mundo pehuenche da cordilheira dos Andes possui sólidos expoentes em Trekaleyin, no Alto Bíobio, e Quinquén, em Lonquimay. O primeiro desenvolveu uma rede de trilhas ancestrais que são percorridas principalmente a cavalo, no meio de imponentes bosques de araucárias e vulcões. Já nos momentos de descanso surgem os relatos sobre a vida antiga e a presente, marcados pelo cruel inverno das alturas andinas.

Em Quinquén, por outro lado, uma família da comunidade acolhe o visitante com comida caseira e o tradicional “matetún”, conversas ao redor do fogo e o chimarrão. No final do verão se pode participar na coleta do pinhão, o fruto da araucária, em uma vivência única que possibilita compreender a relação que os pehuenches mantêm com a natureza.