Para preservar a Antártida, jovens chilenas apostam em uma bactéria

Em fevereiro, ganhadoras de concurso científico experimentarão in situ iniciativa meio-ambiental.

miércoles, 21 de noviembre de 2012  
Jóvenes chilenas apuestan por una bacteria para preservar la Antártica

por Daniela Muñoz*

Omayra Toro (17) e Naomi Estay (17), alunas secundárias do Liceo 1 de Santiago, passaram os últimos dois anos estudando a Antártida. Às suas responsabilidades escolares somaram o interesse pela ciência, o que as levou a passar horas em laboratórios classificando bactérias.

Foi dessa maneira que conseguiram identificar uma cepa que habita o continente branco e que permite degradar hidrocarbonetos.

A importância deste trabalho é que, com a utilização de um microrganismo, esta descoberta poderia permitir a limpeza (biorremediação) de solos contaminados.

As jovens apresentaram o seu projeto na IX Feria Antártica Escolar, realizada em Magalhães. Obtiveram o primeiro lugar na categoria experimental e foram premiadas com uma viagem de uma semana a esse território, a qual começará no final de fevereiro de 2013.

“Este é o sonho de qualquer pessoa que se interessa pela ciência, estou ansiosa pela viagem”, diz Omayra Toro, quem conta que quer estudar biologia meio-ambiental.

Sua colega, Naomi Estay, destaca que “encontramos uma solução para um iminente problema que a Antártida tem de contaminação com o petróleo. Existem bactérias fora desse continente que podem conseguir degradar hidrocarbonetos, mas os tratados internacionais impedem levar à Antártida microrganismos externos”.

Contribuição científica

Para desenvolver a pesquisa elas foram apoiadas pelo bioquímico e doutor em microbiologia da Universidade de Chile José Manuel Pérez, que tinha amostras de microrganismos antárticos no seu laboratório.

“Elas estudaram mais de 100 tipos de bactérias e encontraram uma cepa que tem potencial para ser utilizado na limpeza do território antártico contaminado com hidrocarbonetos, como o fenantreno”, afirma.

Acrescenta que “desafortunadamente, esta contaminação é uma coisa que ocorre nas  praias e águas próximas às bases, devido ao armazenamento e uso do petróleo para a geração de energia”.

O interesse das adolescentes pela pesquisa tem sido apoiado por seu colégio. Na verdade, esta é a terceira vez que estudantes deste plantel são premiados na competição, organizada pelo Instituto Antártico Chileno (Inach) e pela Força Aérea de Chile (FACH).

Além das alunas do Liceo 1, outros quatro escolares de Antofagasta e de Punta Arenas também farão parte da expedição, na qual participam cientistas de todo o mundo.

A viagem de fevereiro começará em Punta Arenas, de onde os expedicionários voarão até as ilhas Shetland do Sul, e vão conhecer as bases chilenas e as estrangeiras no lugar. Chegando lá acompanharão os cientistas nas suas pesquisas e percorrerão os arredores da Base Profesor Julio Escudero.

*Fonte: jornal La Tercera

Imagem: Inach em Flickr


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